
Santa Catarina se consolidou como referência nacional em monitoramento meteorológico e prevenção de desastres naturais. A Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil mantém, em Florianópolis, a única defesa civil estadual do Brasil equipada com uma antena própria de recepção direta de imagens de satélite, tecnologia que permite acompanhar em tempo real a formação de tempestades, frentes frias e outros fenômenos atmosféricos.
Instalada na sede do Centro Integrado de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cigerd), a estrutura capta diretamente do espaço os dados do satélite GOES-19, considerado o mais avançado da atual geração meteorológica utilizada nas Américas. As informações chegam instantaneamente aos meteorologistas da Defesa Civil, sem depender de internet ou servidores externos, garantindo maior velocidade e segurança operacional nos momentos críticos.
“São essas informações que ajudam a nossa Defesa Civil a formar uma previsão do tempo mais assertiva. É aquela que você recebe no seu celular”, afirmou o governador Jorginho Mello.
Tecnologia pioneira no Brasil
A antena foi instalada em maio de 2018 e se tornou a primeira do tipo em operação no país. Em 2025, o sistema foi atualizado para receber o sinal GRB (GOES Rebroadcast) diretamente do GOES-19, ampliando significativamente a qualidade e a velocidade das informações meteorológicas processadas pelo Estado.
O sistema é capaz de captar imagens em 16 diferentes bandas espectrais — do visível ao infravermelho — permitindo análises detalhadas da atmosfera, da temperatura das nuvens, da umidade, da atividade elétrica e até da formação de rios atmosféricos, fenômeno associado aos grandes volumes de chuva no Sul do Brasil.
Com isso, os meteorologistas conseguem identificar tempestades severas antes mesmo da precipitação ser detectada pelos radares meteorológicos de superfície, aumentando o tempo de antecedência dos alertas enviados à população.
Estrutura integrada de monitoramento
Além das imagens de satélite, o sistema catarinense opera integrado a radares meteorológicos, modelos matemáticos internacionais e uma ampla rede de monitoramento hidrometeorológico distribuída em todas as regiões do Estado.
“Além das imagens do satélite, dos modelos americano e europeu, contamos com os nossos radares próprios, modelos matemáticos e as nossas mais de 170 estações hidrometeorológicas espalhadas em todas as regiões”, destacou o secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil, Fabiano de Souza.
Segundo a Defesa Civil, a combinação dessas tecnologias elevou a precisão dos modelos meteorológicos de alta resolução utilizados pelo Estado, especialmente nas previsões de curtíssimo prazo — fundamentais para emissão de alertas preventivos em situações de risco.
Centro estratégico para gestão de crises
O Cigerd de Florianópolis faz parte do maior sistema integrado de gerenciamento de riscos e desastres já implantado em Santa Catarina. A estrutura foi inaugurada em 2018 e atua conectada a 20 centros regionais distribuídos estrategicamente pelo Estado.
O complexo reúne setores de meteorologia, hidrologia, geologia, monitoramento de áreas de risco, gestão de crises e resposta a desastres. O centro também foi projetado para continuar funcionando mesmo em situações de falta de energia elétrica ou colapso de comunicação convencional.
A ampliação da cobertura por radares meteorológicos e a integração dos sistemas de monitoramento colocaram Santa Catarina entre os estados mais avançados do país na área de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos.
Como o satélite ajuda a monitorar o tempo em SC
O satélite GOES-19 orbita a 35.800 km de altitude e transmite continuamente dados para a Terra. A antena da SDC/SC capta esse sinal de forma direta, sem passar por servidores intermediários e sem precisar de internet, e entrega as imagens em tempo real aos meteorologistas da Defesa Civil catarinense.
Segundo Frederico de Moraes Rudorff, gerente de Monitoramento e Alerta da SDC/SC, o satélite capta 16 faixas de luz diferentes, do visível ao infravermelho, cada uma revelando uma camada distinta da atmosfera. Com isso, os meteorologistas conseguem identificar umidade, temperatura das nuvens e até distinguir neve de nuvem no Planalto Catarinense. O equipamento também monitora a atividade elétrica atmosférica em tempo real e mapeia a umidade em diferentes altitudes, revelando os chamados “rios atmosféricos” que, especialmente em anos de El Niño, alimentam os grandes eventos de chuva no estado.
“A combinação desses canais em composições coloridas (RGB) permite identificar visualmente frentes frias, correntes de jato, massas de ar úmidas e tempestades com potencial de granizo antes mesmo de o radar detectar a precipitação. É essa antecipação que faz a diferença entre um alerta precoce e uma resposta tardia”, explica Rudorff.
Rede Integrada de Monitoramento

As imagens do satélite não atuam sozinhas. Elas são cruzadas com os dados da rede de quatro radares meteorológicos e das estações hidrometeorológicas para compor a previsão que orienta o envio de alertas por SMS e Cell Broadcast à população.
Os radares estão distribuídos estrategicamente pelo território catarinense. O primeiro foi instalado em Lontras, no Vale do Itajaí, em 2014. Em seguida, vieram o radar do Oeste, em Chapecó, em 2017, e o do Litoral Sul, em Araranguá, em 2018. O mais recente é o do Litoral Norte, instalado em Joinville em 2023.
A rede de monitoramento conta ainda com 172 estações hidrológicas e meteorológicas distribuídas por todas as regiões do estado. As hidrológicas, instaladas junto a rios e cursos d’água, acompanham em tempo real o nível dos rios e o volume de chuva registrado no local. As meteorológicas monitoram temperatura, umidade, pressão atmosférica, direção e velocidade do vento. Todos os equipamentos fornecem dados com atualização a cada 15 segundos e contam com sistemas de câmeras e alarmes para garantir a confiabilidade das informações.
As informações dos radares e das estações hidrometeorológicas estão disponíveis na Rede Integrada de Monitoramento da SDC/SC e podem ser acessadas por pesquisadores, gestores públicos e pela população em geral, tanto para consulta em tempo real quanto para download.
Como receber os alertas da Defesa Civil
Com a cobertura integrada de satélite, radares e estações hidrometeorológicas, os alertas da Defesa Civil de Santa Catarina passaram a ser emitidos com maior antecedência e precisão. Para garantir que a informação chegue à população, a Secretaria utiliza dois sistemas complementares.
O primeiro é o alerta por SMS. Para recebê-lo, basta enviar uma mensagem gratuita com o CEP da localidade para o número 40199. Após o cadastro, os avisos chegam automaticamente ao celular, mesmo sem conexão com a internet. Santa Catarina é o estado com maior cobertura de população cadastrada no país.
O segundo é o Defesa Civil Alerta, que utiliza o sistema Cell Broadcast e não exige cadastro, aplicativo ou download. Para receber as mensagens, basta manter as notificações de alerta de emergência ativadas nas configurações do celular. Em situações de risco iminente, todos os aparelhos na área afetada conectados às antenas 4G ou 5G recebem a mensagem automaticamente, independentemente de cadastro.













