GRUPOS REFLEXIVOS PARA AUTORES DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CRESCEM 125% NO PAÍS E TJSC APRESENTA RESULTADOS AO MINISTRO EDSON FACHIN

Reunião na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, presidida pelo ministro Edson Fachin, reuniu integrantes do Grupo de Trabalho do CNJ para apresentação dos resultados do mapeamento nacional dos grupos reflexivos destinados a autores de violência doméstica.

A juíza Naiara Brancher, titular do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca da Capital e cooperadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEVID) do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), participou, no fim de junho, de uma reunião na sede do Supremo Tribunal Federal (STF) com o ministro Edson Fachin para apresentar os resultados do Grupo de Trabalho (GT) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) responsável pelo mapeamento dos grupos reflexivos destinados a autores de violência doméstica.

Coordenadora adjunta do GT, a magistrada apresentou ao ministro um panorama nacional que demonstra a consolidação dessas iniciativas como instrumento de prevenção à reincidência da violência contra as mulheres.

“Apresentamos ao ministro Fachin uma minuta de ato normativo e o panorama mapeado pelo GT, que identificou 704 iniciativas de grupos reflexivos para homens autores de violência doméstica. Esses grupos são fundamentais para a proteção das mulheres, porque contribuem para prevenir novas práticas de violência e o agravamento da violência doméstica, promovendo a reflexão, a escuta ativa e a responsabilização dos homens autores de violência”, afirmou Naiara Brancher.

Ministro destaca importância da iniciativa

Ao receber os resultados, o ministro Edson Fachin ressaltou que o trabalho amplia a atuação do Judiciário no enfrentamento da violência de gênero.

“Esse é um lado da violência contra a mulher que, muitas vezes, fica relegado a segundo plano. Mas é uma iniciativa muito importante para o Poder Judiciário”, destacou.

Segundo a magistrada, o levantamento integra um conjunto de entregas do CNJ que será concluído em agosto, quando a Lei Maria da Penha completa 20 anos.

“Vamos fortalecer as políticas institucionais do Poder Judiciário nacional”, enfatizou.

Número de grupos cresce mais de 125% desde 2020

O levantamento revela uma expansão significativa dos grupos reflexivos em todo o país.

No primeiro mapeamento, realizado em 2020, foram identificadas 312 iniciativas em funcionamento. Em 2023, esse número passou para 498. Agora, a nova pesquisa registra 704 grupos ativos, representando um crescimento de 41,4% em relação ao levantamento anterior e de 125,6% na comparação com o primeiro estudo.

Além do diagnóstico nacional, o Grupo de Trabalho elaborou uma minuta de ato normativo que será submetida ao Plenário do CNJ para fortalecer a atuação do Poder Judiciário na implantação e no acompanhamento desses grupos. Também será lançado um manual teórico-prático com orientações destinadas a magistradas, magistrados e tribunais de todo o país.

Experiência na Paraíba fortalece troca de boas práticas

Como coordenadora adjunta do Grupo de Trabalho, Naiara Brancher também participou, na Paraíba, de uma agenda técnica para conhecer o projeto “Virando a Página”, desenvolvido na Penitenciária Desembargador Sílvio Porto, em João Pessoa.

A comitiva visitou a unidade prisional e acompanhou o funcionamento de dois grupos reflexivos, compostos por 32 internos.

“Acompanhamos o trabalho desenvolvido com dois grupos reflexivos conduzidos pela própria unidade prisional. Foi um momento importante para conhecer essas iniciativas de perto e trocar experiências sobre práticas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher”, destacou a magistrada.

A visita integra as ações do CNJ voltadas ao fortalecimento de políticas públicas que promovam a responsabilização dos autores de violência, reduzam a reincidência e ampliem a proteção às mulheres em todo o país.

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