FIESC CRITICA PROPOSTA DE REDUÇÃO DA JORNADA E ALERTA PARA IMPACTO ECONÔMICO EM SANTA CATARINA

Câmara dos deputados aprova redução da jornada de trabalho de 44h para 40h em sessão nesta quarta (27). (foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) classificou como um equívoco a proposta aprovada pela Câmara dos Deputados que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Para a entidade, a medida pode gerar impactos econômicos significativos para o país e comprometer a competitividade das empresas.

O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, destacou a posição dos parlamentares catarinenses que votaram contra o projeto e defendeu uma análise mais aprofundada da matéria no Senado Federal.

“Reconhecemos a coragem dos deputados catarinenses que votaram contra uma proposta discutida de maneira açodada e embalada por interesses eleitorais”, afirmou. “Esperamos que a análise pelo Senado leve em consideração os impactos sociais e econômicos da medida. Se seguir como está, isso vai custar caro ao Brasil”, completou.

Impactos sobre empregos e custos

Na avaliação da Federação, a proposta impõe aumento expressivo nos custos das empresas, especialmente nos setores mais intensivos em mão de obra e expostos à concorrência nacional e internacional.

Estudo da entidade aponta que a mudança poderá resultar na perda de 41,4 mil vagas de trabalho em Santa Catarina nos próximos dois anos. Desse total, cerca de 19,1 mil empregos seriam afetados diretamente na indústria catarinense.

Além disso, a FIESC estima que os custos do trabalho no setor industrial do estado poderão aumentar em 11,4% caso a proposta seja implementada nos moldes aprovados pela Câmara.

Defesa da negociação coletiva

A Federação também defende que eventuais mudanças na jornada de trabalho e na escala sejam discutidas por meio de negociação coletiva entre empregadores e trabalhadores, considerando as características específicas de cada setor da economia.

Para Gilberto Seleme, a adoção de uma regra única por lei para todos os segmentos é inadequada e desconsidera as diferentes realidades produtivas do país.

A entidade também critica o prazo estabelecido para adaptação das empresas à nova carga horária. Pela proposta, a redução de quatro horas semanais ocorreria em duas etapas de duas horas, sendo a primeira em até 60 dias e a segunda em até 12 meses, o que, segundo a FIESC, compromete o planejamento operacional e financeiro das empresas.

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