
Frases como “essa tecnologia é complicada demais para quem é mais velho” ou “você deve ter sido muito bonita quando era jovem” parecem inofensivas à primeira vista, mas revelam uma forma de discriminação baseada na idade conhecida como etarismo.
O tema foi o foco do primeiro episódio da quinta temporada do podcast Momento MP, produzido pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). A edição reuniu a Procuradora de Justiça e presidente da Comissão de Equidade do MPSC, Eliana Volcato Nunes, e o coordenador do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos e Terceiro Setor (CDH), Promotor de Justiça Eduardo Sens dos Santos. A mediação foi conduzida pelas jornalistas Silvia Pinter Pereira e Clarissa Battistella Cervieri.
Com mais de 32 milhões de brasileiros acima dos 60 anos, o país passa por uma transformação demográfica significativa. De acordo com projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nas próximas décadas a população idosa deverá se tornar o maior grupo etário do Brasil.
Apesar desse cenário, preconceitos relacionados à idade ainda fazem parte do cotidiano.
“A nossa sociedade tem a cultura de que a juventude é sinal de beleza, bondade e capacidade. São vínculos que não deveriam existir, mas que existem culturalmente”, destaca a Procuradora de Justiça Eliana Volcato Nunes.
Ela ressalta ainda que a linguagem desempenha papel fundamental na manutenção desse comportamento.
“A forma como nós falamos é a transmissão do nosso pensamento. Enquanto nós transmitimos um pensamento desrespeitoso ou preconceituoso, nós o perpetuamos culturalmente”, completa.
Violência vai muito além das agressões físicas
Além da discriminação, a população idosa também está mais vulnerável a diferentes formas de violência, muitas vezes silenciosas e pouco denunciadas.
Segundo o Promotor de Justiça Eduardo Sens dos Santos, os abusos podem ocorrer de diversas maneiras.
“A violência contra as pessoas idosas pode se manifestar de diversas maneiras. Temos a violência física, que ocorre por meio de agressões, lesões corporais e até morte. Existem também as agressões verbais e injúrias, além das violências institucionais.”
O promotor explica que a chamada violência institucional acontece quando órgãos públicos ou privados não oferecem estrutura adequada para garantir autonomia, acessibilidade e respeito às pessoas idosas.
“Essa última ocorre quando a instituição não está preparada para receber a pessoa idosa de forma independente ou autônoma”, afirma.
Programa Prioriza amplia atenção à população idosa
O enfrentamento à violência contra idosos também tem recebido atenção especial dentro do Ministério Público catarinense.
Em 2025, o MPSC lançou o programa Prioriza, iniciativa que direciona a atuação institucional para temas considerados estratégicos em diferentes regiões do estado. Entre as 11 regiões consultadas, pelo menos quatro apontaram a proteção e garantia dos direitos da população idosa como prioridade.
Um dos exemplos é a região de Blumenau, onde 68% dos municípios apresentam índice de envelhecimento superior à média estadual, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas para esse segmento da população.
Podcast aproxima o Ministério Público da sociedade
O Momento MP foi criado para aproximar a população da atuação do Ministério Público de Santa Catarina e dos temas de interesse coletivo.
Com linguagem acessível e formato de conversa, o podcast aborda assuntos relacionados aos direitos humanos, meio ambiente, acolhimento às vítimas, justiça penal e negocial, acordos de não persecução penal, entre outros temas relevantes para a sociedade.
Os episódios têm duração média de 30 minutos e estão disponíveis na Rádio MPSC, no Spotify, além de versão em vídeo no YouTube.
Serviço
Podcast: Momento MP
Tema do episódio: Etarismo e violência contra a população idosa
Onde ouvir: Spotify – Rádio MPSC
Onde assistir: Canal do MPSC no YouTube














