INDÚSTRIA REAGE AO FIM DA “TAXA DAS BLUSINHAS”: FIESC PREVÊ IMPACTO SOBRE EMPREGOS E PRODUÇÃO NACIONAL

Presidente da FIESC, Gilberto Seleme critica o fim da taxação sobre importações de até 50 dólares e alerta para riscos à indústria nacional.

A decisão do presidente Lula de acabar com a cobrança de imposto sobre importações de até 50 dólares provocou reação imediata da indústria catarinense. A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) considera que a medida enfraquece a competitividade das empresas brasileiras e cria vantagens para plataformas e fabricantes estrangeiros.

Segundo a entidade, o setor produtivo nacional enfrenta uma carga regulatória e tributária que não é aplicada aos produtos importados vendidos por e-commerce internacional.

“Quem produz no Brasil tem que cumprir uma série de regulações, como certificados de origem de matéria-prima e homologações de produtos e embalagens, e pagar impostos e contribuições dos mais diversos tipos. Com uma concorrência isenta, a conta simplesmente não fecha”, alerta Gilberto Seleme, presidente da FIESC.

Pequenas empresas e setor têxtil podem ser os mais afetados

Levantamentos da Confederação Nacional da Indústria apontam que a mudança poderá atingir principalmente micro e pequenas empresas, além de provocar reflexos diretos no emprego industrial e no varejo.

Entre os segmentos mais vulneráveis está o setor têxtil, que vinha recuperando postos de trabalho após a adoção da chamada “taxa das blusinhas”.

“Em um cenário global marcado por disputas comerciais e por políticas de proteção econômica, é contraditório que o Brasil abra mão de instrumentos mínimos de equilíbrio concorrencial”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI.

Indústria classifica decisão como retrocesso

As entidades empresariais afirmam que a taxação criada nos últimos anos havia representado uma conquista para a indústria e o comércio nacional. Em 2023, plataformas estrangeiras passaram a recolher ICMS estadual sobre as vendas realizadas ao Brasil. Já em 2024, entrou em vigor a cobrança de 20% do imposto federal de importação para compras internacionais de até 50 dólares.

Na avaliação da indústria, as medidas ajudaram a reduzir a entrada de produtos estrangeiros sem tributação equivalente e estimularam a recuperação do mercado interno.

Dados apontam preservação de empregos e movimentação da economia

Estudo recente da CNI mostra que a “taxa das blusinhas” evitou a entrada de cerca de R$ 4,5 bilhões em produtos importados no mercado brasileiro. Segundo a entidade, a medida contribuiu para preservar mais de 135 mil empregos e manter quase R$ 20 bilhões em circulação na economia nacional.

As entidades defendem que a retirada da cobrança pode interromper esse movimento de fortalecimento da produção brasileira, especialmente em um momento de disputa internacional por mercados e investimentos.

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