VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER EM FLORIANÓPOLIS OCORRE PRINCIPALMENTE DENTRO DE CASA E PRATICADA POR PARCEIROS OU EX-PARCEIROS, APONTA RELATÓRIO INÉDITO

Relatório inédito divulgado pela Prefeitura de Florianópolis reúne dados da rede de atendimento, segurança pública e medidas protetivas, traçando um panorama da violência contra a mulher na Capital.

A violência contra a mulher em Florianópolis acontece, majoritariamente, dentro do ambiente doméstico e é praticada por pessoas com quem as vítimas mantêm ou mantiveram relações afetivas. A constatação faz parte do primeiro Relatório de Dados da Violência contra as Mulheres, divulgado pela Prefeitura de Florianópolis, que reúne informações da rede municipal de atendimento, da segurança pública e do sistema de proteção judicial entre os anos de 2019 e 2024.

Mais do que apresentar estatísticas, o documento oferece um retrato abrangente da violência de gênero na Capital, evidenciando que o problema é contínuo, complexo e exige ações permanentes de prevenção, acolhimento e proteção.

Atendimentos revelam persistência da violência

Os números do Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (CREMV) demonstram a dimensão do problema. Entre 2019 e 2024, foram realizados 2.272 atendimentos, sendo que o maior volume ocorreu em 2021, quando 508 mulheres procuraram apoio especializado.

Outro dado que preocupa é a reincidência da violência doméstica. Somente em 2024, foram registrados 86 casos de repetição das agressões, evidenciando os desafios enfrentados pelas vítimas para romper o ciclo da violência e reconstruir suas vidas.

Violência psicológica lidera registros

O levantamento aponta que os principais autores das agressões são companheiros e ex-companheiros das vítimas, reforçando a relação entre violência de gênero e vínculos afetivos e familiares.

Entre as diferentes formas de violência registradas, a psicológica aparece como a mais recorrente, superando os casos de violência física e moral. O dado demonstra que a violência nem sempre deixa marcas visíveis, mas provoca impactos profundos na saúde mental, na autoestima, na autonomia e na qualidade de vida das mulheres.

Cresce a busca por medidas protetivas

A procura por medidas protetivas também apresentou crescimento expressivo nos últimos anos.

Em 2020, Florianópolis registrou 1.196 solicitações. Em 2023, esse número chegou a 1.778, representando um aumento de quase 49%. Entre janeiro e novembro de 2024, já haviam sido contabilizadas 1.568 medidas protetivas, indicando que a demanda por proteção judicial segue elevada.

Quase 9 mil ameaças e 11 feminicídios em quatro anos

Os indicadores da segurança pública reforçam a gravidade do cenário.

Entre 2020 e 2023, foram registrados quase 9 mil casos de ameaça contra mulheres e cerca de 4,5 mil ocorrências de lesão corporal em Florianópolis. No mesmo período, 11 mulheres foram vítimas de feminicídio.

Um dos pontos mais alarmantes destacados pelo relatório é que, na maioria dos feminicídios registrados, as vítimas não haviam formalizado boletins de ocorrência anteriormente. O dado reforça a necessidade de ampliar os canais de denúncia, fortalecer a rede de apoio e incentivar a busca por ajuda desde os primeiros sinais de violência.

Estrutura de atendimento e políticas públicas

Além do diagnóstico, o relatório apresenta a estrutura de atendimento disponível no município, composta por serviços especializados como o Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (CREMV), a Casa de Acolhimento para Mulheres em Situação de Violência Doméstica e o Espaço Acolher.

O documento também destaca que o enfrentamento da violência contra a mulher vai além do atendimento emergencial. Programas de prevenção, conscientização e autonomia econômica são considerados fundamentais para combater as causas estruturais da violência de gênero.

Entre as iniciativas desenvolvidas estão o Protocolo Não se Cale, o programa Maria da Penha Vai à Escola e os grupos reflexivos destinados tanto às mulheres quanto aos homens autores de violência.

Para a assessora de Políticas Públicas para Mulheres e Igualdade de Gênero, Giselle Lessa, a consolidação das informações representa um marco para a construção de políticas públicas mais eficazes.

“Pela primeira vez, conseguimos reunir e analisar de forma integrada informações de diferentes serviços e instituições. Isso nos permite transformar dados em políticas públicas mais eficazes, direcionando as ações de prevenção, proteção e acolhimento às necessidades reais das mulheres. Nosso compromisso é fortalecer cada vez mais a rede de apoio e construir uma cidade mais segura, justa e igualitária para todas.”

Rede de proteção foi ampliada nos últimos anos

Paralelamente ao período analisado pelo relatório, Florianópolis ampliou sua rede de proteção e enfrentamento à violência contra a mulher, fortalecendo serviços especializados de acolhimento, proteção e promoção da autonomia das vítimas.

Entre os principais equipamentos está o Centro de Referência Especializado de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (CREMV), que oferece acolhimento, atendimento psicossocial e orientação às mulheres, atuando de forma integrada com os demais órgãos da rede de proteção.

Outro importante serviço é a Casa de Acolhimento para Mulheres em Situação de Violência Doméstica, criada em 2013 para garantir proteção integral e acolhimento sigiloso às mulheres em situação de risco iminente, acompanhadas ou não de seus filhos.

Em agosto de 2024, a Prefeitura inaugurou o Espaço Acolher, ampliando a capacidade de atendimento às pessoas em situação de violência. O local reúne serviços especializados em um único espaço, oferecendo atendimento humanizado e fortalecendo a atuação integrada da rede municipal.

Além dos equipamentos especializados, a administração municipal também vem ampliando ações de prevenção, educação e conscientização, consolidando uma estrutura cada vez mais preparada para enfrentar a violência de gênero e garantir proteção às mulheres da Capital.

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