VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER DOMINA SESSÃO NA ALESC E PAUTA PROJETO QUE ENDURECE REGRAS PARA CONDENADOS

Deputada Paulinha defende da tribuna, durante sessão desta quinta-feira, medidas mais rigorosas contra condenados por crimes de violência de gênero. =Foto: Rodrigo Corrêa / Agência Alesc=

A sessão ordinária desta quinta-feira (30), na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, véspera do feriado de 1º de maio, foi marcada por um forte posicionamento em defesa das vítimas de violência de gênero — tema que concentrou os principais discursos e mobilizou parlamentares em diferentes frentes.

O destaque ficou para a fala da deputada Paulinha (Podemos), que apresentou e defendeu o Projeto de Lei 275/2026, voltado ao endurecimento das regras para condenados por crimes graves como feminicídio, estupro e pedofilia.

Ao subir à tribuna, a parlamentar enfatizou que o debate não pode tratar a dor das vítimas como “detalhe secundário” dentro do sistema de justiça. Em um discurso contundente, afirmou que a proposta nasce da realidade e da necessidade de dar uma resposta concreta à sociedade.

“O projeto não é um texto frio. Ele nasce da indignação e da necessidade de dizer basta”, declarou.

Proposta prevê restrições a condenados por crimes graves

O projeto estabelece a proibição de visitas íntimas para condenados por esses crimes, desde que haja sentença transitada em julgado, nos estabelecimentos penitenciários do Estado.

Segundo a deputada, a medida não retira direitos essenciais, como as visitas sociais, mas impõe limites a um benefício que considera incompatível com a gravidade dos crimes.

Paulinha destacou que a violência não se encerra com a condenação judicial.

“Muitas mulheres continuam sendo pressionadas, manipuladas e puxadas de volta para um ciclo de dor. Permitir esse tipo de contato, em muitos casos, é permitir que a violência continue — de forma silenciosa”

A parlamentar também citou que legislação semelhante já foi aprovada no estado de Mato Grosso, defendendo que Santa Catarina avance além e se torne referência nacional no enfrentamento à violência contra a mulher.

Números que alertam

Dados mencionados por ela durante a sessão reforçam a gravidade do cenário: somente neste ano, 22 mulheres já foram mortas em Santa Catarina, sendo 10 casos registrados em um único mês.

Segundo a deputada, a maioria das vítimas havia tentado romper ciclos de violência.
” O feminicídio virou uma epidemia nacional”, pontuou.

Além do projeto, ela apresentou um requerimento para a criação de uma comissão especial, em regime de urgência, destinada a analisar 19 propostas relacionadas ao enfrentamento da violência contra mulher, protocoladas por 12 parlamentares.

A iniciativa busca dar celeridade às medidas e oferecer uma resposta mais rápida à sociedade catarinense.

O debate também contou com manifestações de apoio. O deputado Sargento Lima (PL) declarou alinhamento à proposta e defendeu que o Legislativo tenha coragem para enfrentar o problema, ressaltando a necessidade de ações concretas na área de segurança pública.

Fiscalização das fronteiras

Em seu pronunciamento, o Sargento Lima reforçou a sua preocupação com o aumento da população de rua no Estado e da falta de uma fiscalização efetiva, pelo Governo Federal, das fronteiras brasileiras, que a transformam em rota de tráfico de drogas.

Ele ainda criticou a atuação do IBAMA que atacou a tiros uma embarcação catarinense em águas do Estado. “ Uma ação covarde”, disse.

Educação e políticas públicas também entram no debate

O deputado Mário Motta (PSD) destacou a importância de políticas educacionais no combate ao bullying, citando experiências internacionais como o programa KiVa, da Finlândia, que reduziu em até 80% os casos de violência escolar.

O parlamentar, que esteve em missão para Alemanha, Finlândia e Dinamarca, revelou que o objetivo foi justamente conhecer de perto o modelo de uma educação de excelência e que forma cidadãos.

“Há, nesses países, uma decisão coletiva da sociedade ao colocar a educação como prioridade real. Justamente essa proposta é que queremos construir em Santa Catarina, um modelo de educação inclusiva e que muda vidas”

Ainda durante a sessão, a deputada Paulinha criticou decisões recentes do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) relacionadas à formação de condutores, além de cobrar providências do Detran e questionar ações do Ibama.

“Pescadores foram abordados a tiros”, disse.

Apesar da diversidade de pautas, o enfrentamento à violência contra a mulher permaneceu como eixo central da sessão.

Para a deputada, o momento exige um posicionamento claro do Estado.

“O Estado não pode ser neutro. Neutralidade, aqui, é escolher o lado errado”, afirmou.

A expectativa agora é que o projeto avance nas comissões e intensifique o debate sobre o papel das políticas públicas na proteção das mulheres, em um cenário que exige respostas urgentes e estruturais.

Alesc Explica   

O que propõe o PL 275/2026?

Restrições a condenados por crimes graves, como a proibição de visitas íntimas.

O projeto já está aprovado?

Não. Ele foi apresentado e ainda tramita nas comissões.

Quais crimes são foco da proposta?

Feminicídio, estupro e pedofilia.

Que dados foram citados no debate?

22 mulheres mortas no estado neste ano, sendo 10 em um único mês.

Quais outros temas foram discutidos na sessão?

Segurança pública, educação, fiscalização e políticas sociais.

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