
Santo Antônio de Lisboa, um dos bairros mais tradicionais de Florianópolis e um dos principais símbolos da presença açoriana na Ilha de Santa Catarina, ganhará neste sábado (22) um novo espaço dedicado à preservação da memória, da cultura e das tradições de seus antepassados.
A Prefeitura de Florianópolis entrega, às 11h, a Casa dos Açores, em cerimônia realizada na Igreja de Nossa Senhora das Necessidades. O evento contará com a presença de uma delegação oficial dos Açores, reforçando os laços históricos e culturais entre Florianópolis e o arquipélago português.
O imóvel restaurado fica em frente à igreja, na esquina das ruas Cônego Serpa e Professor Osni Barbato, em uma região marcada por casarios antigos, arquitetura tradicional, manifestações culturais e pela forte influência açoriana.
Restauro preservou características históricas
As obras começaram em janeiro deste ano, sob responsabilidade da Secretaria de Infraestrutura e Manutenção da Cidade, com uma preocupação central: recuperar o imóvel sem apagar suas características históricas.
O projeto contemplou a recuperação estrutural do casarão, o restauro do forro e do assoalho de madeira, a substituição da cobertura, a revisão completa das instalações elétricas e a restauração das esquadrias históricas.
Também foram realizadas novas pinturas internas e externas, sempre seguindo critérios de preservação patrimonial. A proposta foi manter a integridade dos elementos arquitetônicos que atravessaram décadas e fazem parte da paisagem cultural de Santo Antônio de Lisboa.
Mais do que recuperar uma edificação antiga, a iniciativa transforma o patrimônio arquitetônico em um espaço vivo, destinado à comunidade e às novas gerações.
Um elo entre Florianópolis e os Açores
A criação da Casa dos Açores representa também o fortalecimento de uma relação que atravessa séculos. A presença açoriana deixou marcas profundas nos costumes, na religiosidade, na culinária, no artesanato, nas festas tradicionais e na arquitetura de Florianópolis e de diversas comunidades catarinenses.
“Florianópolis e os Açores têm uma relação de longa data, com muitas tradições que nos aproximam. Restaurar um casarão centenário e devolvê-lo à comunidade, no centro de um bairro tão reconhecido como esse, vai muito além de uma entrega de infraestrutura. É a afirmação do nosso compromisso com a memória, a identidade e o elo entre nossos povos, um espaço que honra o passado e projeta nossa relação para o futuro”, destaca o prefeito Topázio Neto.
A Casa dos Açores de Florianópolis integra uma rede de instituições espalhadas por diferentes partes do mundo, voltadas à preservação e promoção da cultura do arquipélago. A entidade mantém uma relação institucional com a Direção Regional das Comunidades e está ligada ao Conselho Mundial das Casas dos Açores.
Há unidades em países como Estados Unidos, Canadá, Uruguai e Bermudas.
Cultura açoriana preservada em Santa Catarina
Em Santa Catarina, a entidade atua desde 1999 e participa de projetos voltados à valorização da cultura e do patrimônio açoriano.
Entre as iniciativas estão o Centro de Referência das Rendeiras e o restauro da Casa do Vigário, na Lagoa da Conceição. A atuação em Florianópolis ocorre também em parceria com a Fundação Franklin Cascaes.
Com a entrega do casarão restaurado, a Casa dos Açores passa a contar com uma nova sede, ampliando as possibilidades de realização de atividades culturais, encontros, exposições, projetos e ações de valorização da identidade açoriana.
Um casarão com mais de um século de histórias
Construído em 1915 por um casal de origem libanesa, o imóvel teve diferentes moradores e funções ao longo de sua história. A trajetória da casa acompanha, em boa medida, as transformações vividas por Santo Antônio de Lisboa durante o século XX.
Na década de 1950, o imóvel foi adquirido pelo município e passou a abrigar o posto de saúde e a primeira escola municipal do distrito. Posteriormente, funcionaram no local a intendência do bairro e uma subdelegacia de polícia.
Um dos momentos marcantes ocorreu em 1953, quando o prédio recebeu o governador de Santa Catarina, Celso Ramos, durante a inauguração da iluminação elétrica de Santo Antônio de Lisboa.
Décadas depois, em 2014, o imóvel ganhou uma nova função cultural e passou a ser chamado de Casa de Cultura Clara Manso de Avelar, vinculada à associação de moradores da comunidade.
O nome homenageava a mulher que doou as terras onde foi construída a Igreja de Nossa Senhora das Necessidades e que também está ligada à história do nome do bairro.
Memória que olha para o futuro
A restauração da Casa dos Açores acrescenta mais um capítulo à história de Santo Antônio de Lisboa. O casarão deixa de ser apenas uma construção preservada pelo tempo para assumir novamente uma função comunitária e cultural.
Em uma Florianópolis que cresce e se transforma rapidamente, a recuperação de imóveis históricos ajuda a manter vivos os sinais de uma cidade construída por diferentes povos e tradições.
Em Santo Antônio de Lisboa, arquitetura, religiosidade, paisagem e cultura se encontram para contar uma história que atravessou o Atlântico. Agora, com a Casa dos Açores restaurada, esse vínculo ganha um novo endereço — e um novo espaço para continuar sendo contado.













