
Santa Catarina alcançou uma marca histórica ao conquistar sua 12ª Indicação Geográfica (IG) reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O mais novo integrante dessa lista é o Alho Roxo do Planalto Catarinense, que recebeu a certificação de Denominação de Origem (DO), um dos mais importantes selos de qualidade do país.
A conquista beneficia diretamente produtores dos municípios de Caçador, Lebon Régis, Fraiburgo, Monte Carlo, Brunópolis, Curitibanos e Frei Rogério, reforçando a importância econômica e cultural da atividade agrícola para a região.
Mais do que um reconhecimento técnico, a certificação representa uma oportunidade concreta de geração de renda, valorização da produção local e fortalecimento da permanência das famílias no campo.
Qualidade reconhecida em nível nacional
A Denominação de Origem é concedida apenas a produtos cujas características estão diretamente ligadas ao ambiente natural e ao conhecimento humano desenvolvido em determinada região.
No caso do alho roxo catarinense, estudos científicos demonstraram que fatores como o clima frio de altitude, as frequentes geadas, a grande variação de temperatura entre o dia e a noite e os solos de origem basáltica contribuem para a formação de um produto diferenciado.
Essas condições proporcionam bulbos com coloração roxa mais intensa, aroma marcante, sabor característico e maior concentração de compostos naturais que agregam valor ao produto.
Desenvolvimento regional e novas oportunidades
O reconhecimento foi resultado de um trabalho coletivo liderado pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), Epagri, Cidasc, Sebrae, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Cooperativa Regional Agropecuária do Meio-Oeste Catarinense (Copar).
Para o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, a certificação representa um avanço para todo o agronegócio catarinense.
“Essa certificação valoriza um produto que carrega a identidade da região, reconhece o trabalho desenvolvido pelas famílias produtoras ao longo das gerações e fortalece a competitividade dos produtos catarinenses.”
Além de ampliar a visibilidade do alho catarinense nos mercados nacional e internacional, o selo contribui para agregar valor à produção, estimular o turismo rural e impulsionar o desenvolvimento econômico dos municípios envolvidos.
Ciência comprova a singularidade do produto
Desde 2021, pesquisadores e extensionistas da Epagri coordenaram estudos técnicos para comprovar a relação entre o território e as características exclusivas do alho produzido na região.
As análises mostraram que materiais genéticos semelhantes, quando cultivados fora da área delimitada, não apresentam a mesma intensidade de cor, aroma, pungência e composição fitoquímica observadas no Planalto Catarinense.
Outro diferencial reconhecido é o conhecimento acumulado pelos agricultores ao longo das gerações, incluindo técnicas próprias de seleção das sementes, manejo das lavouras, cura e armazenamento dos bulbos.
O método tradicional de cura utilizado pelos produtores da região, por exemplo, contribui diretamente para a intensificação do aroma característico do alho roxo.
Mais valor para o campo e para a identidade catarinense
Segundo o pesquisador da Epagri e especialista em Indicações Geográficas, Hamilton Justino Vieira, a certificação vai além da valorização comercial.
“O selo fortalece a identidade regional, amplia oportunidades de mercado, aumenta a renda dos agricultores, preserva práticas tradicionais de cultivo e incentiva a permanência das famílias no campo.”
O reconhecimento também reforça o papel da pesquisa, da extensão rural e da cooperação entre instituições públicas e privadas na construção de soluções capazes de gerar desenvolvimento sustentável para o interior catarinense.
Santa Catarina consolida protagonismo nacional
Com a inclusão do Alho Roxo do Planalto Catarinense, Santa Catarina passa a contar com 12 Indicações Geográficas reconhecidas nacionalmente, consolidando-se como uma das referências brasileiras na produção de alimentos e bebidas com identidade territorial certificada.
A nova conquista soma-se a produtos já consagrados, como a Uva Goethe, a Banana de Corupá, os Vinhos de Altitude, o Queijo Artesanal Serrano, a Maçã Fuji de São Joaquim, a Erva-Mate do Planalto Norte Catarinense, a Linguiça Blumenau, a Cachaça de Luiz Alves e o Mel de Melato da Bracatinga.
O selo concedido ao alho roxo representa mais um passo na valorização da agricultura catarinense, transformando tradição, conhecimento e qualidade em oportunidades para quem vive e produz no campo.














