
Pela primeira vez na história de Santa Catarina, o Governo do Estado, por meio da Defesa Civil de Santa Catarina, firmou convênios com 48 municípios para a execução de obras de desassoreamento e limpeza de rios, além de intervenções realizadas diretamente pela própria secretaria estadual. Ao todo, mais de 350 quilômetros de rios passarão por limpeza e dragagem em diversas regiões catarinenses.
Com investimentos superiores a R$ 227 milhões, o programa marca uma mudança histórica na política de enfrentamento às enchentes: sair da reação para priorizar a prevenção. O objetivo é reduzir os impactos das cheias, proteger comunidades inteiras e minimizar os prejuízos humanos e econômicos causados pelos desastres climáticos.
Vale do Itajaí concentra ações estratégicas contra enchentes
Um dos principais exemplos dessa nova frente de atuação está no município de Doutor Pedrinho, no Vale do Itajaí. Nesta semana, o governador Jorginho Mello e o secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil, coronel BM Fabiano de Souza, acompanharam de perto as obras de desassoreamento executadas na região.
As intervenções integram um conjunto de medidas voltadas à redução dos impactos das enchentes que historicamente atingem cidades do Vale.
“A água do rio só quer uma coisa: chegar ao mar, se a gente atrapalha o caminho, ela transborda e invade as cidades. A limpeza dos rios foi negligenciada por décadas e agora a gente tá fazendo isso com muita responsabilidade. Nós fazemos a dragagem para que aguentem o volume de água das chuvas. Mudamos o foco, agora a prioridade é prevenção e proteção, evitar que o estrago chegue na casa das pessoas”, disse o governador Jorginho Mello.
No município, os trabalhos contemplam a limpeza do Rio Benedito e do Rio Forcação, totalizando 6,94 km de extensão, com investimento de R$ 548 mil, repassado por meio de convênio. Até o momento, aproximadamente 4 km já foram executados.
Dragagem do Rio Itajaí-Açu marcou início da nova política preventiva
O marco dessa nova política estadual de prevenção às enchentes começou em maio de 2024, quando o governador Jorginho Mello assinou, em Rio do Sul, a ordem de serviço para o início das obras de dragagem do Rio Itajaí-Açu.
A ação alcançou uma das áreas mais afetadas pelas cheias em Santa Catarina, abrangendo cidades do Alto Vale até municípios como Blumenau, frequentemente castigados por enchentes históricas.
A medida busca impedir que episódios como os registrados em 2023 voltem a provocar destruição em larga escala no Vale do Itajaí.
Somente nessa região, o investimento do Governo do Estado para limpeza de margens e desassoreamento dos rios chegou a R$ 16,2 milhões.

Em 2024, foram retomadas intervenções em rios que há mais de 40 anos não recebiam obras desse tipo, como nos municípios de Rio do Sul, Rio do Oeste, Mirim Doce e Presidente Getúlio. Atualmente, estão em processo de licitação obras de limpeza fluvial em Rio do Sul, Taió, Lontras e Rio do Oeste.
“Essas ações, somadas às construção de novas barragens e reformas das estruturas já existentes, ajudam a tornar Santa Catarina mais preparada e resiliente, especialmente diante de ocorrências associadas às chuvas intensas que podem ser potencializadas, neste ano, pelo El Niño”, afirmou o secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil, Cel BM Fabiano de Souza.
Como funciona uma obra de desassoreamento

O desassoreamento é o processo de remoção de sedimentos, galhos, sujeira e outros materiais acumulados no leito dos rios. Esse acúmulo ocorre naturalmente ao longo do tempo: partículas das margens são arrastadas pela correnteza e se depositam no fundo do curso d’água, reduzindo a capacidade de escoamento do rio e aumentando o risco de transbordamento.
Além da limpeza do leito, as intervenções também incluem o tratamento das margens, com retirada de sedimentos e aplicação de hidrossemeadura, uma técnica de plantio de vegetação que fixa o solo e impede que a erosão carregue mais material para dentro do rio.
Antes de cada obra, equipes realizam inspeção para identificar os pontos com maior acúmulo de sedimentos. Em seguida, é elaborado um laudo técnico com estimativa do volume de material a ser removido e um estudo comparativo do leito antes e depois da intervenção.
“É uma obra de suma importância da Defesa Civil para a mitigação dos impactos das cheias, pois melhora a capacidade hidráulica do curso d’água. Retirando esse material, temos um escoamento mais eficiente, com a diminuição de pontos de estrangulamento hidráulico causados por bancos de sedimentos”, destaca o Diretor de Obras e Projetos Especiais da SDC, Douglas Leandro Meincheim.
Por meio de um conjunto de intervenções que inclui obras de desassoreamento, o Estado tem investido na proteção e mitigação dos impactos das cheias, construção de novas barragens, além das reformas de barragens existentes e obras de contenção para estabilização de margens. Juntas, essas ações formam uma estratégia integrada de prevenção de enchentes e de proteção da população catarinense.













