
A promoção, proteção e incentivo ao aleitamento materno voltaram ao centro do debate em Santa Catarina nesta quarta-feira (15), com a realização da oitava edição do Congresso Catarinense de Aleitamento Materno, promovido pela Comissão de Saúde da Alesc, por meio da Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira.
Com o tema “Amamentação Baseada em Evidências e Sustentada pelo Cuidado”, o encontro reúne especialistas, profissionais da saúde, gestores e pesquisadores para discutir estratégias capazes de fortalecer uma das práticas mais importantes para a saúde infantil e o desenvolvimento humano.
Amamentação reduz mortalidade infantil e fortalece o futuro
Reconhecido mundialmente como uma das medidas mais eficazes para a proteção da infância, o aleitamento materno pode reduzir em até 13% a mortalidade por causas evitáveis em crianças menores de cinco anos.
Além disso, o Brasil possui a maior Rede de Bancos de Leite Humano do mundo, referência internacional no atendimento a recém-nascidos, especialmente os prematuros.
Deputado destaca papel da informação e do acolhimento
Autor da proposta do congresso, o deputado estadual Fernando Krelling (MDB) defendeu o fortalecimento das políticas públicas voltadas ao tema e ressaltou a importância da orientação às famílias e da capacitação dos profissionais da saúde.
“Muitas mães deixam de amamentar não por escolha, mas por falta de orientação e apoio. Investir em informação é investir em saúde pública, na redução de doenças e na melhoria da qualidade de vida desde os primeiros meses de vida”, destaca.
Ciência e neurodesenvolvimento em pauta
Ao longo do dia, a programação inclui conferências, painéis, palestras e webinar sobre segurança alimentar e nutricional. Entre os destaques está a conferência magna do pediatra Francisco Sulivan Mota, que abordou o desenvolvimento infantil sob a ótica da neurociência.
Segundo o especialista, os avanços científicos reforçam ainda mais o valor da amamentação.
“Estudando a neurociência, cada vez mais nos aproximamos e valorizamos o aleitamento materno. Percebemos nos pequenos detalhes, não apenas nos componentes que nutrem o cérebro, mas na relação com a mãe, na deglutição do bebe, é um impulso dentro da neurociência para garantir uma qualidade de vida futura, capacitando o cérebro em termos funcionais para que a criança possa estabelecer sua vida atrás de escolhas e segurança”, comentou Mota.
Rede de apoio é decisiva para as mães
Para o presidente da Associação Brasileira de Aleitamento Materno (ABAM), pediatra Dr. Cecim El Achkar, amamentar exige preparo, organização e suporte contínuo.
“Amamentar é um processo exigente, que demanda dedicação, planejamento e suporte. Apesar dos desafios, é uma experiência única, fundamental para o desenvolvimento e segurança da criança”, afirma.
Indicadores ainda preocupam em Santa Catarina
A enfermeira Sônia Silva alertou que os índices de aleitamento ainda precisam avançar no estado. Segundo ela, cerca de 52% das crianças são amamentadas exclusivamente até os seis meses. Desse total, 60% chegam a um ano e apenas 35% aos dois anos.
“Amamentar, além de um ato de amor, é um ato de saúde pública e também de economia. Crianças amamentadas adoecem menos e demandam menos do sistema de saúde”, destaca.
Ela defendeu mais investimentos em equipes técnicas e políticas públicas capazes de reduzir o uso indiscriminado de fórmulas infantis.
“Com apoio adequado e informação, é possível melhorar esses indicadores e gerar impactos positivos tanto na saúde das crianças quanto na economia”, completa.
O congresso conta com apoio institucional da Associação Brasileira de Aleitamento Materno e da Sociedade Catarinense de Pediatria (SCP), ampliando a integração entre entidades comprometidas com a saúde materno-infantil.
ALESC EXPLICA
Qual o objetivo do congresso?
Promover atualização técnico-científica e integração entre profissionais e setores envolvidos no aleitamento materno.
Por que o aleitamento materno é importante?
Pode reduzir a mortalidade infantil e melhorar o desenvolvimento da criança.
Quais os principais desafios?
Falta de orientação, apoio às mães e necessidade de políticas públicas mais efetivas.
Os índices em Santa Catarina são adequados?
Não, especialistas apontam que ainda são considerados baixos













