ECA DIGITAL ENTRA EM VIGOR E MUDA REGRAS DA INTERNET PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO BRASIL

Crianças e adolescentes brasileiros estão cada vez mais conectados e nova lei estabelece regras rígidas para garantir segurança e proteção no ambiente digital. (Foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil)

Começa a valer no Brasil a Lei nº 15.211/2025, conhecida como ECA Digital, um marco na proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual. A nova legislação amplia o alcance do Estatuto da Criança e do Adolescente, levando para o mundo digital regras mais rígidas contra abusos, exploração, conteúdos impróprios e práticas predatórias em redes sociais, jogos e plataformas online.

Sancionada em 2025, a lei não substitui o ECA tradicional, mas atualiza a proteção à realidade atual, onde milhões de jovens estão conectados diariamente. Especialistas classificam a medida como “de vanguarda”, colocando o Brasil entre os países que avançam na regulação da internet para o público infantojuvenil.

A proposta estabelece uma lógica clara: o que é proibido no mundo físico também deve ser no digital.

O que muda na prática

O ECA Digital traz uma série de regras inéditas:

  • Proibição de monetização de conteúdo que sexualize menores
  • Obrigatoriedade de remoção de conteúdos graves em até 24 horas
  • Fim da autodeclaração de idade (“tenho +18”) como único critério
  • Contas de menores de 16 anos vinculadas a responsáveis
  • Plataformas obrigadas a oferecer ferramentas de controle parental
  • Proibição de publicidade abusiva e práticas enganosas

Além disso, empresas podem sofrer multas de até 10% do faturamento, suspensão e até proibição de atuar no país.

A “Lei Felca” e a pressão das redes

A aprovação ganhou força após a repercussão de denúncias feitas pelo influenciador Felipe Bressanim Pereira, o Felca, que expôs conteúdos que exploravam a imagem de crianças nas redes sociais.

O caso mobilizou autoridades, especialistas e a sociedade, acelerando a tramitação da proposta, que passou a ser chamada informalmente de “Lei Felca”.

Um problema de escala nacional

Os números mostram a urgência da nova legislação:

  • 92% dos brasileiros de 9 a 17 anos estão online
  • 85% têm perfil em redes sociais
  • 54% já sofreram algum tipo de violência digital
  • Até 63% foram expostos a conteúdos de apostas

O ambiente digital, cada vez mais presente, também se tornou um espaço de risco.

Família também entra na responsabilidade

A lei reforça que a proteção não é apenas das empresas. Pais e responsáveis terão papel central no acompanhamento do uso da internet.

Ferramentas como Google Family Link e Qustodio ganham importância para monitorar tempo de tela, conteúdos acessados e interações.

Especialistas alertam: não basta delegar às plataformas — é preciso participação ativa das famílias.

Exemplos que vêm de casa

Casos reais mostram como o controle pode funcionar na prática. Há famílias que limitam redes sociais, monitoram aplicativos e priorizam o diálogo para desenvolver senso crítico nas crianças.

A estratégia combina tecnologia com educação — considerada essencial para reduzir riscos e exposição.

Combate a abusos e conteúdos perigosos

A nova lei também mira crimes digitais e práticas nocivas, determinando:

  • Remoção rápida de conteúdos de violência, exploração e cyberbullying
  • Proibição de mecanismos viciantes como loot boxes em jogos como Roblox
  • Bloqueio de publicidade que explore vulnerabilidade infantil

O objetivo é reduzir não apenas crimes, mas também impactos psicológicos e financeiros.

Tecnologia terá que se adaptar

Empresas digitais agora deverão:

  • Implementar verificação real de idade
  • Oferecer proteção máxima por padrão para menores
  • Criar canais de denúncia e apoio às vítimas
  • Produzir relatórios periódicos de segurança

A fiscalização ficará a cargo de órgãos como a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Um novo capítulo na internet brasileira

Para especialistas, o ECA Digital representa uma mudança estrutural: a internet deixa de ser um território sem regras claras para crianças e adolescentes.

Mais do que restringir, a lei busca equilibrar liberdade, proteção e responsabilidade, num cenário em que o mundo online já faz parte da infância.

(Fonte: Agência Brasil)

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