INCLUSÃO QUE TRANSFORMA: O CARINHO DE UMA ESCOLA QUE FEZ YURI SE SENTIR PERTENCENTE

Yuri em momento de interação com a Auxiliar de Sala, Nicole Fernandes.

A estudante de Direito Laiz dos Santos, de 39 anos, sabe exatamente o peso que existe no coração de uma mãe atípica ao deixar um filho pela primeira vez na escola. Mãe de Yuri, de cinco anos, ela carregava medos, inseguranças e dúvidas antes de matricular o menino no Núcleo de Educação Infantil Municipal (Neim) Coqueiros, na região continental de Florianópolis.

Yuri possui síndrome de alfa-talassemia ligada ao cromossomo X com deficiência intelectual (ATR-X), uma doença genética rara que afeta múltiplos sistemas do organismo. Apesar das limitações motoras e neurológicas, Laiz descreve o filho como uma criança cheia de sensibilidade, luz e vontade de viver o mundo à sua maneira.

“Ele é uma criança muito especial, cheia de luz e muito amado por todos ao seu redor. Apesar das limitações motoras e neurológicas, ele demonstra diariamente força, sensibilidade e uma enorme vontade de interagir com o mundo do jeitinho dele.”

Além de Yuri, Laiz também é mãe de Giovana, de 19 anos, e Hanna, de 9. Segundo ela, o menino gosta de música, desenhos, estímulos visuais, brincadeiras e, principalmente, de interagir com outras crianças.

O medo de não ser compreendido

No início da adaptação escolar, a maior preocupação da mãe era saber se o filho seria realmente acolhido.

“Toda mãe atípica se preocupa se o filho será realmente acolhido, respeitado e incluído. A busca não era apenas por uma escola, mas por um lugar onde ele pudesse pertencer. E, desde então, ele pertence àquele ambiente.”

Laiz conta que temia que Yuri fosse tratado de forma diferente ou que a equipe não estivesse preparada para compreender suas necessidades.

Mas o receio deu lugar à surpresa.

“A unidade educativa me surpreendeu bastante, principalmente pela total disposição da equipe em aprender a lidar com ele. Foram destemidos, corajosos e extremamente acolhedores.”

Uma aventura inspirada em Peter Pan emocionou a família

Recentemente, a turma de Yuri, formada por 23 crianças, participou de um projeto pedagógico inspirado na história de Peter Pan. A proposta envolvia enigmas, pistas e aventuras que levaram os pequenos até a Lagoa do Peri, no Sul da Ilha.

No local, as crianças encontraram um baú com um jornal fictício relatando o desaparecimento de crianças em Londres e apontando o Capitão Gancho como principal suspeito. A brincadeira continuou com uma trilha ao redor da lagoa até a descoberta de um “tesouro”: uma caixa decorada com a imagem do Big Ben e moedas de ouro produzidas em 3D.

A experiência marcou profundamente Yuri e, também sua mãe.

Um bilhete que emocionou toda a escola

No dia seguinte ao passeio, Laiz entregou um bilhete à equipe pedagógica. Antes mesmo da leitura, contou à diretora Sharlene dos Santos que havia deixado uma mensagem na agenda de Yuri. Todos sorriram. Ela, porém, saiu emocionada e com lágrimas nos olhos.

Na mensagem, a mãe agradecia pelo acolhimento e pela inclusão do filho.

“Ao Neim Coqueiros venho expressar minha felicidade em ter meu filho nesta instituição, sou grata pelo carinho e todo apoio nesta jornada, que vem deixando mais leve e suave. Agradeço de coração à equipe. Meu muito obrigada pelo carinho e por toda força! Yuri amou o passeio e chegou em casa super feliz e radiante. Gente obrigada de coração por incluir meu filho tão bem e com tanto amor e dedicação, não tenho nem como agradecer a tudo que ele vem desenvolvendo junto à equipe.”

A reação da equipe foi imediata. Diretora e professoras se emocionaram ao ler o relato.

“Sem dúvida é um trabalho de entrega coletiva em que todos estão envolvidos. A sensação de fazer parte da história do Yuri, da família dele e caminhar lado a lado com a Laiz é extraordinário”, destacou a diretora Sharlene.

Pequenas conquistas que significam muito

Segundo Laiz, a convivência escolar vem proporcionando avanços importantes no desenvolvimento do filho.

Hoje, Yuri está mais comunicativo, atento às interações e mais seguro em diferentes ambientes.

“Pequenas conquistas, que para muitos podem parecer simples, para nós têm um significado enorme. É muito satisfatório perceber essa socialização, porque a criança transmite o que sente e vive. E, na escola, eu sei que ele está vivendo grandes emoções. Viver isso junto com ele é realmente muito gratificante.”

Estrutura voltada à inclusão

O Neim Coqueiros atende atualmente 158 crianças. Destas, 36 possuem diagnóstico de deficiência ou estão em processo de avaliação.

A professora regente de Yuri é Nathália Luciano Cardoso, acompanhada pela auxiliar Nicole Fernandes e pelas professoras auxiliares de educação especial Denise Coutinho e Terezinha Mendonça. Também fazem parte da equipe a professora auxiliar Cintia Luiz e o professor de educação física Vilmar Both.

A unidade conta ainda com uma sala multimeios destinada ao Atendimento Educacional Especializado (AEE), espaço equipado com materiais pedagógicos, recursos de acessibilidade e mobiliário adaptado para crianças com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) e altas habilidades/superdotação. O atendimento é realizado pelos professores de educação especial Andréia Ferrão e Eliseu de Souza.

 

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