ELEITORADO IDOSO BATE RECORDE E DEVE TER PAPEL DECISIVO NAS ELEIÇÕES DE OUTUBRO

Aos 96 anos, Antonieta da Silva Campos mantém o compromisso com as urnas e afirma que honestidade é o principal critério na escolha dos candidatos. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil.

As eleições de outubro terão o maior eleitorado idoso já registrado no Brasil. Dos mais de 158 milhões de eleitores aptos a votar, cerca de 36,8 milhões têm 60 anos ou mais, o equivalente a 23% do total, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O crescimento desse grupo impressiona: desde 2010, o número de idosos com título de eleitor ativo aumentou aproximadamente 74%, refletindo o envelhecimento da população brasileira e ampliando o peso desse segmento nas disputas eleitorais.

Saúde, previdência e custo de vida ganham protagonismo

Para a cientista política e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mayra Goulart, o aumento da população idosa torna esse eleitorado estratégico para qualquer candidatura competitiva.

Segundo ela, a tendência é que temas como saúde pública, acesso a medicamentos, previdência social, assistência, segurança, mobilidade urbana, cuidados de longa duração e custo de vida ocupem espaço central no debate eleitoral.

A pesquisadora destaca que, embora muitos associem a terceira idade a posições mais conservadoras em determinados temas, isso não significa que os idosos votem, necessariamente, em candidatos de uma mesma corrente política. Para ela, o grupo é bastante diverso e reúne diferenças de renda, escolaridade, religião, gênero e região.

Voto facultativo após os 70 anos

Desde a Constituição de 1988, brasileiros com 70 anos ou mais têm direito ao voto facultativo. Quem optar por não comparecer às urnas não precisa justificar a ausência e também não sofre penalidades, inclusive sem risco de cancelamento do título por deixar de votar em três eleições consecutivas.

Mesmo com essa possibilidade, muitos idosos fazem questão de participar do processo democrático.

É o caso da aposentada Antonieta da Silva Campos, de 96 anos, moradora do Rio de Janeiro. Ela afirma pesquisar o histórico dos candidatos antes de votar e considera a honestidade o principal requisito.

“Eu vejo o que ele já fez, a postura dele. A honestidade do candidato é o mais importante.”

Mulheres são maioria entre os idosos

Outro aspecto destacado pela pesquisadora é a predominância feminina no eleitorado idoso.

Dados do Censo 2022 mostram que as mulheres representam:

* 54% das pessoas entre 60 e 69 anos;
* 57,8% da população com 70 anos ou mais;
* 61,7% entre os idosos acima de 80 anos;
* 67,4% entre aqueles com 90 anos ou mais.

Segundo Mayra Goulart, discutir o eleitorado idoso também significa considerar as demandas das mulheres, que vivem mais, frequentemente recebem menores rendimentos e, muitas vezes, assumem a responsabilidade pelos cuidados familiares.

Abstenção ainda preocupa

Apesar do crescimento do eleitorado idoso, a abstenção continua elevada entre os brasileiros acima de 70 anos.

O país possui atualmente cerca de 16 milhões de eleitores nessa faixa etária. Nas eleições de 2022, aproximadamente 8 milhões deixaram de votar, representando uma taxa de abstenção próxima de 60%.

Entre eles está Ivalda Barbosa, de 76 anos, que decidiu deixar de votar após o voto se tornar facultativo. Ela conta que participou das eleições durante anos apenas para manter a situação regular junto à Justiça Eleitoral e afirma que seu interesse pela política sempre foi pequeno, embora escolhesse seus candidatos observando as propostas apresentadas.

Como reduzir a abstenção

Na avaliação de Mayra Goulart, ampliar a participação dos idosos passa por campanhas de comunicação específicas para esse público.

Ela defende o uso de linguagem acessível, formatos adequados e canais de comunicação direcionados, além da redução de barreiras práticas, como dificuldades de mobilidade, problemas de saúde, distância dos locais de votação e dependência de familiares ou cuidadores.

Para a pesquisadora, o aumento da participação desse eleitorado dependerá não apenas do interesse político, mas também de ações que facilitem o exercício do direito ao voto.

(Fonte: Agência Brasil)

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