CCJ DA CÂMARA ADIA VOTAÇÃO DE PEC QUE EXTINGUE ESCALA 6X1

Sessão da CCJ adia votação da PEC que propõe o fim da escala 6x1. (Foto:Lula Marques/Agência Brasil)

A discussão sobre o futuro da jornada de trabalho no Brasil ganhou novos capítulos nesta quarta-feira (15), após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados adiar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso, a chamada escala 6×1.

O adiamento ocorreu após pedido de vista coletivo apresentado por lideranças do PSDB e do PL, o que concede mais tempo para análise do parecer e posterga a deliberação sobre a admissibilidade da proposta.

Pela regra constitucional, o texto precisa ser apreciado em até 45 dias, caso contrário passa a trancar a pauta do plenário da Câmara, aumentando a pressão política sobre o tema.

Durante a sessão da CCJ, o relator da matéria, deputado Paulo Azi (União-BA), apresentou parecer favorável à admissibilidade da PEC. Na prática, o parlamentar entendeu que a proposta respeita os princípios constitucionais e pode seguir para as próximas etapas de tramitação.

Além de extinguir a escala 6×1, a PEC também estabelece a redução gradual da jornada semanal das atuais 44 para 36 horas ao longo de dez anos.

Oposição pede mais tempo e critica urgência

Os deputados Lucas Redecker (PSDB-RS) e Bia Kicis (PL-DF) defenderam o pedido de vista sob o argumento de que o tema exige análise aprofundada por envolver impactos econômicos e mudanças relevantes nas relações de trabalho.

Redecker também criticou o envio do projeto em regime de urgência pelo governo federal, afirmando que a iniciativa pode esvaziar o debate da PEC dentro da Câmara.

Já o deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA) rebateu as críticas e sustentou que o projeto de lei não inviabiliza a PEC, mas reforça a discussão sobre o tema.

Segundo ele, a proposta do Executivo foi apresentada após declarações públicas de líderes da oposição prometendo obstruir a tramitação da medida.

Empresários e partidos entram no debate

O tema também mobiliza setores empresariais e lideranças partidárias. Presidentes do PL e do União Brasil já haviam declarado que trabalhariam para impedir o avanço do fim da escala 6×1, em encontro realizado com empresários em São Paulo.

Juntos, os dois partidos somam 139 deputados federais, o que amplia o peso político da resistência ao texto.

Em seu parecer, Paulo Azi rejeitou os argumentos de inconstitucionalidade baseados em eventual impacto financeiro para estados e municípios. O relator ressaltou que questões econômicas poderão ser debatidas posteriormente, inclusive com mecanismos de compensação.

Ele também destacou a desigualdade de forças entre empregadores e trabalhadores, argumentando que a negociação coletiva, sozinha, nem sempre é suficiente para garantir avanços na redução da jornada.

Próximos passos

Com o pedido de vista, a votação foi suspensa e deverá retornar à pauta da CCJ nas próximas sessões. Se aprovada, a PEC seguirá para comissão especial antes de chegar ao plenário da Câmara.

O debate promete se intensificar, envolvendo governo, oposição, empresários e trabalhadores em uma das discussões mais relevantes do mercado de trabalho brasileiro nos últimos anos.

(Fonte: Agência Brasil)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu comentário
Por favor, informe seu nome