ALESC: AUTORIDADES DEBATEM PRIORIDADES PARA MOBILIDADE URBANA NA GRANDE FLORIANÓPOLIS

O próximo dia 15 de março foi definido como a data para uma reunião integrada entre os municípios da Grande Florianópolis para fazer avançar a questão da mobilidade urbana. O encaminhamento surgiu durante audiência pública na Comissão de Transportes e Desenvolvimento Urbano da Assembleia Legislativa, na manhã de hoje.

A deputada Luciane Carminatti (PT) destacou que o tema não é novo. Segundo ela, os moradores e quem transita pela região da Grande Florianópolis convivem com a necessidade da integração dos vários modais e vivem diante dos problemas do transporte coletivo e das vias estaduais e federais, além da falta de uma solução para o transporte marítimo e que precisam de uma resposta.

“É fundamental que os governos conversem, mas infelizmente eles não têm conversado. Como se pode pensar em um plano diretor integrado sem diálogo?”, indagou. Ao final da audiência, a parlamentar contou que ficou estabelecido que até o dia 15 de março os municípios precisam indicar representantes com poder de decisão. “Para que se coloquem todos os projetos na mesa e se comece uma nova fase”, comentou.

O coordenador regional da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Gilmar Cardoso, afirmou que a obra é complexa, com mais de mil unidades desapropriadas, além de gerar 2,3 mil empregos diretos. “Nossa expectativa é que, dentro do prazo definido, a obra vai estar disponível para a comunidade e para todos nós da Grande Florianópolis”, citou.

Cardoso, por outro lado, reconheceu a relevância da audiência. “Precisamos ter como norte que o contorno permaneça com a função de escoamento do tráfego rodoviário na região. E que possamos integrá-lo com as demais rodovias de uma forma que ele não passe a ter o mesmo problema que levou à necessidade de ter o contorno daqui alguns anos”, contou.

O secretário de Estado da Infraestrutura e Mobilidade, Tiago Vieira, que participou da audiência por videoconferência, garantiu que o governo do Estado sabe da importância da situação para a Grande Florianópolis. “Todos têm procurado trabalhar neste assunto. Falta de nossa parte, de todos os envolvidos, colocar todos os projetos na mesa para fazer um grande plano de desenvolvimento para a região metropolitana”, reconheceu.

PALHOÇA: PREOCUPAÇÃO COM INTERFERÊNCIAS

Para o prefeito de Palhoça, Eduardo Freccia (PSD), existe preocupação com as interferências do contorno viário no município. “Tivemos já grandes ganhos com a execução da terceira pista. Temos esse diálogo muito grande com a Autopista e a ANTT e estamos avançando. Mas gostaria de chamar a atenção para que se possa novamente reunir todas as partes. Sei que a concessionária já tem projetos para melhorar o entroncamento entre a Avenida São Cristóvão e o Contorno, para que a gente possa trazer alternativas àquela população, de um bairro tradicional cujos moradores vão ficar exclusos de todo o restante do bairro”, lamentou.

Para a deputada Marlene Fengler (PSD) o tema não envolve municípios separados. “É uma região metropolitana e os problemas e soluções não são de um município ou de outro. São de todos. É fundamental que qualquer iniciativa seja feita de modo conjunto. São debates como esse que a gente consegue trazer soluções e encaminhamentos importantes”, avaliou.

O prefeito de Biguaçu, Salmir da Silva (PSDB), também falou sobre a necessidade de se discutir efetivamente uma integração por completo. “Senão a gente só vai jogando o problema para o vizinho. E a gente vê que isso em vários momentos acaba acontecendo. Com a terceira pista na BR-101 na região da Palhoça hoje a gente vê que as filas estão lá na ponte ou quase lá na Polícia Rodoviária de Biguaçu”, exemplificou.

Representando a Capital, o secretário de Mobilidade Urbana de Florianópolis, Michel de Andrado Mittmann, assegurou que o município tem trabalhado em cooperação com o governo do Estado nas ações de mobilidade. “Entre elas a questão do transporte náutico, que tem evoluído. Florianópolis, diferente das demais cidades, não está no eixo da BR, mas é receptora de viagens urbanas também. Temos uma rodovia federal que acessa as pontes e ali a gente tem uma mistura de trânsitos e falta prioridade para o transporte coletivo auxiliar na mobilidade urbana.

O secretário de Segurança e Defesa Social e de Trânsito de São José, Vanio Luiz Dalmanco, alegou que a situação local é bastante complicada. “A cidade precisa desta alça de contorno, que seja concluída o mais rápido possível, mas precisa que a SC-281 seja melhorada, pois o movimento vai aumentar muito quando tudo estiver funcionando. E também precisa se resolver a questão do transporte coletivo e integrado para a região metropolitana o mais breve possível”, afirmou.

Diálogo
O diretor de Operações Sul da Arteris, Antonio César Ribas Sass, explicou que “o bom relacionamento” com a Prefeitura de Palhoça para o andamento da terceira pista já provocou uma redução de mais de 50% no número de acidentes. “Estamos com vários projetos em andamento, um deles é a ligação da marginal de Biguaçu no sentido Norte com a construção de uma ponte. São mais de 600 metros e a ligação. Entendemos que a BR-101 precisa de uma ampliação de capacidade contínua frente ao crescimento que ela tem demonstrado”, citou.

Por outro lado, o diretor também concordou que é necessário que cada setor coloque os próprios projetos para que uma solução conjunta seja tomada. “Sobre a avenida São Cristóvão, temos um projeto de uma alça que passa sobre o contorno, mas estamos estudando outras alternativas. Estamos atentos aos anseios de todos e mantemos o diálogo sempre aberto”, garantiu.

 

 

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