
Menstruar não deve ser motivo para faltar à escola, deixar de participar das atividades ou enfrentar situações de constrangimento. Com esse princípio, a Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis ampliou, em 2026, a distribuição de itens de higiene menstrual na rede municipal de ensino.
Ao longo do ano, serão disponibilizados 20 mil pacotes de absorventes, cada um com oito unidades, totalizando 160 mil produtos destinados ao cuidado menstrual de estudantes e alunas da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJA).
A quantidade representa um crescimento em relação a 2025, quando foram distribuídos 17.410 pacotes, equivalentes a 139.280 absorventes. O aumento reforça a política de acolhimento e assistência desenvolvida nas unidades educativas e amplia o acesso a um item básico de higiene.
Mais de 6 mil pessoas são beneficiadas
A iniciativa alcança 6.064 pessoas. Os produtos ficam disponíveis nos banheiros e nas secretarias das unidades educativas, permitindo que as estudantes tenham acesso ao material quando necessário, inclusive em situações inesperadas durante o período escolar.
Entre as beneficiadas estão 5.780 meninas, a partir dos 10 anos, matriculadas do 5º ao 9º ano do ensino fundamental em 41 escolas básicas municipais.
A política também contempla as estudantes da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJA). São 284 alunas, com idades entre 15 e 50 anos, que também podem utilizar o suporte disponibilizado pela rede municipal.
Mais do que oferecer um produto de higiene, a medida procura evitar que a menstruação se transforme em uma barreira para a frequência, a aprendizagem e a participação na vida escolar.
Grêmios estudantis ajudam a quebrar o tabu
A discussão sobre dignidade menstrual também ganha espaço entre os próprios estudantes. Na Escola Básica Municipal Tapera, as integrantes do Grêmio Estudantil Lorena Barbosa e Naomi Emanuelly destacam a importância de manter os absorventes disponíveis para situações que podem acontecer de maneira inesperada durante o período de aulas.
Para Lorena, ter esse suporte dentro da escola significa evitar que uma estudante precise voltar para casa ou deixar de participar de uma atividade por não ter um absorvente à disposição.
Naomi, estudante do sétimo ano, chama atenção ainda para uma realidade que ultrapassa as situações emergenciais. Segundo ela, algumas estudantes precisam levar absorventes para casa porque suas famílias não conseguem comprar regularmente o produto.
A percepção dos estudantes reforça que a chamada pobreza ou precariedade menstrual não se resume à falta momentânea de um absorvente. Ela pode envolver dificuldades econômicas para adquirir produtos de higiene e, consequentemente, afetar a rotina, a autoestima e a permanência das meninas e mulheres em espaços de educação.
Escola como espaço de acolhimento
A diretora da EBM Tapera, Marrara Gomes, destaca que a escola trabalha em parceria com o Grêmio Estudantil para tratar o assunto com naturalidade, reduzir constrangimentos e fortalecer a informação sobre o cuidado menstrual.
A proposta é fazer com que nenhuma estudante deixe de frequentar ou permanecer na escola por não ter acesso a um item básico de higiene.
Nesse contexto, a disponibilização dos absorventes integra uma política de acolhimento que também envolve informação, escuta e respeito. Ao normalizar o diálogo sobre a menstruação, as unidades educativas contribuem para combater tabus e situações de constrangimento que ainda fazem parte da rotina de muitas adolescentes.
Menstruação também é uma questão de direitos
A Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu, em 2014, que a higiene menstrual está relacionada à saúde pública e aos direitos humanos. O tema ganhou relevância internacional justamente por evidenciar que o acesso a produtos de higiene, água, saneamento e condições adequadas de cuidado está diretamente ligado à dignidade das pessoas.
No Brasil, dados divulgados pela ONU apontam que cerca de 4 milhões de pessoas enfrentam algum tipo de privação relacionada à higiene, incluindo dificuldades de acesso a banheiros, sabonetes e produtos menstruais. Ainda segundo os dados citados pela organização, uma em cada quatro mulheres já deixou de frequentar aulas durante o período menstrual por não ter condições de comprar absorventes.
Acesso ao absorvente ajuda a garantir o direito de estar na escola
Ao ampliar de 139.280 para 160 mil a quantidade de absorventes distribuídos, Florianópolis reforça uma estratégia que coloca a dignidade menstrual dentro da agenda educacional.
A iniciativa parte de uma constatação simples: um item básico de higiene não pode ser o motivo para uma estudante perder aula, abandonar uma atividade ou se sentir constrangida no ambiente escolar.
Com os produtos disponíveis nas escolas, a rede municipal busca transformar uma necessidade cotidiana em uma política de cuidado, garantindo mais segurança, acolhimento e condições para que meninas, adolescentes e mulheres permaneçam na escola e participem plenamente das atividades educativas.













