
A biodiversidade começa a ocupar um espaço estratégico nas decisões empresariais e pode se transformar em uma nova frente de oportunidades para a indústria catarinense. O tema foi debatido na mais recente palestra online da comunidade Membership da Academia FIESC de Negócios, que reuniu CEOs, lideranças industriais e especialistas para discutir o funcionamento dos créditos de biodiversidade, as possibilidades de financiamento e os caminhos para transformar a conservação da natureza em ativo estratégico para as empresas.
Com o tema “Créditos de Biodiversidade e Oportunidades para a Indústria”, o encontro colocou em pauta um mercado ainda em consolidação no Brasil, mas que ganha relevância diante do avanço das agendas de sustentabilidade, ESG e conservação ambiental.
A proposta é ampliar a compreensão do setor produtivo sobre mecanismos capazes de reconhecer e valorizar ações concretas de preservação da biodiversidade, criando condições para que empresas possam associar desempenho ambiental, inovação e competitividade.
C-Pack apresenta experiência pioneira em Santa Catarina
Um dos principais destaques da programação foi a experiência da C-Pack, primeira empresa catarinense certificada em Créditos LIFE de Biodiversidade.
Para o CEO da companhia, José Maurício Coelho, a certificação representa mais do que um reconhecimento ambiental. O processo também trouxe impactos positivos para a estratégia empresarial.
“A certificação nos trouxe ganho de reputação, transparência, diferenciação de mercado e atração de investimentos em ESG”, afirmou.
Segundo Coelho, a empresa pretende avançar ainda mais nesse segmento e ampliar sua capacidade de geração de créditos de biodiversidade. A experiência apresentada durante o encontro mostrou, na prática, como iniciativas ambientais estruturadas podem gerar valor para as organizações e abrir novas possibilidades de posicionamento no mercado.
Certificação exige gestão estruturada e indicadores
A gerente executiva do Instituto LIFE, Rosana Maria Renner, explicou que a certificação está baseada em um processo estruturado de gestão e avaliação ambiental.
Segundo ela, o modelo utiliza 114 indicadores de biodiversidade, que permitem avaliar diferentes aspectos relacionados à conservação e à gestão dos recursos naturais.
A participação de organismos certificadores, como o SENAI/SC, também foi destacada como importante para conferir maior segurança, transparência e credibilidade aos processos de avaliação.
A estrutura de indicadores contribui para transformar ações de conservação em informações mensuráveis, criando uma base mais consistente para empresas interessadas em demonstrar seus resultados ambientais e avançar em estratégias de sustentabilidade.
BRDE sinaliza espaço para novos investimentos
O mercado financeiro também esteve no centro das discussões. Marcel Hugo, assessor de diretor do BRDE, apresentou iniciativas da instituição voltadas ao apoio de projetos relacionados à sustentabilidade e abordou a perspectiva de novos investimentos no segmento.
A participação do banco reforçou um dos principais pontos debatidos durante a palestra: a consolidação dos créditos de biodiversidade depende não apenas do interesse das empresas, mas também da aproximação entre o setor produtivo, instituições financeiras, organismos de certificação e organizações especializadas.
Essa integração pode contribuir para transformar projetos ambientais em oportunidades capazes de mobilizar recursos, estimular inovação e ampliar a escala das iniciativas de conservação.
Biodiversidade passa a integrar estratégia de negócios
Durante a programação, os participantes destacaram que a discussão sobre biodiversidade deixou de ser exclusivamente ambiental e passou a integrar, cada vez mais, as estratégias de negócios.
Para a indústria, o desafio está em identificar projetos capazes de gerar benefícios ambientais verificáveis e, ao mesmo tempo, produzir valor econômico e reputacional para as empresas.
Nesse contexto, os créditos de biodiversidade surgem como uma possibilidade de aproximar conservação, inovação, financiamento e competitividade, especialmente em um cenário no qual investidores, consumidores e parceiros comerciais demonstram crescente interesse por práticas empresariais associadas à sustentabilidade.
Cooperação é apontada como caminho para consolidar o mercado
Além de Rosana Maria Renner, Marcel Hugo e José Maurício Coelho, participaram do encontro Charles Leber, consultor sênior do Instituto SENAI de Santa Catarina, e José Lourival Magri, presidente do Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade da FIESC.
A diversidade de especialistas permitiu abordar o tema sob diferentes perspectivas: certificação, financiamento, experiência empresarial, avaliação técnica e estratégia de sustentabilidade.
O encontro reforçou, assim, a importância da cooperação entre empresas, instituições financeiras, entidades de pesquisa e organizações especializadas para acelerar a valorização dos ativos ambientais.
Mais do que acompanhar uma tendência internacional, a indústria catarinense começa a discutir como transformar a biodiversidade em parte de sua estratégia de inovação e geração de valor. A consolidação desse mercado, entretanto, dependerá da criação de critérios confiáveis, mecanismos de certificação, segurança para investidores e maior compreensão das oportunidades existentes.
A discussão promovida pela Academia FIESC de Negócios sinaliza que a biodiversidade já começa a ser tratada como uma agenda estratégica para o setor produtivo — conectando preservação ambiental, novas fontes de investimento, reputação empresarial e competitividade industrial.













