ACORDO MERCOSUL-SINGAPURA ABRE NOVA ROTA PARA EXPORTAÇÕES DE SANTA CATARINA NO SUDESTE ASIÁTICO

Acordo Mercosul-Singapura amplia as possibilidades de inserção da indústria brasileira e catarinense no mercado asiático; tratado estabelece regras para comércio, serviços, investimentos e compras governamentais. //Foto: Freepik

O Acordo de Livre Comércio Mercosul-Singapura começa a valer para o Brasil em 1º de agosto, conforme publicação no Diário Oficial da União desta terça-feira (28). O tratado representa um novo passo na estratégia brasileira de diversificação de mercados e pode abrir oportunidades para empresas de Santa Catarina, especialmente em setores com forte vocação exportadora.

Para a indústria catarinense, o acordo ganha relevância em um momento marcado por barreiras comerciais, mudanças no cenário internacional e necessidade de buscar novos destinos para os produtos brasileiros. A abertura de uma porta de entrada para o Sudeste Asiático amplia o leque de possibilidades para empresas que dependem do comércio exterior.

Proteína animal é forte, mas madeira e móveis também ganham espaço

Santa Catarina já possui uma posição consolidada no comércio internacional, principalmente nas exportações de proteína animal. O novo acordo, porém, pode contribuir para uma estratégia mais ampla de diversificação da pauta exportadora, alcançando segmentos que também possuem competitividade internacional.

É o caso da indústria de madeira e móveis, entre outros setores que podem encontrar no mercado asiático novas possibilidades de negócios.

Para Maria Teresa Bustamante, presidente do Conselho de Comércio Exterior da FIESC, o momento exige que Santa Catarina amplie sua capacidade de buscar mercados alternativos.

“Santa Catarina tem na proteína animal um pilar de exportação consolidado, mas precisamos olhar também para segmentos altamente competitivos, como madeira e móveis. Em um cenário de barreiras comerciais e dos impactos do ‘tarifaço’, o acordo abre uma nova porta para diversificarmos mercados e ampliarmos nossa presença no Sudeste Asiático com regras claras e maior previsibilidade”, afirma Maria Teresa Bustamante, presidente do Conselho de Comércio Exterior da FIESC.

A avaliação é de que a diversificação pode reduzir a dependência de determinados mercados e aumentar a capacidade de reação das empresas catarinenses diante de mudanças nas políticas comerciais de outros países.

Primeiro acordo do Mercosul com um país asiático

O tratado tem também importância estratégica por ser o primeiro acordo de livre comércio firmado pelo Mercosul com um país asiático.

Singapura ocupa uma posição privilegiada nas rotas comerciais internacionais e funciona como um importante centro logístico, financeiro e empresarial. A partir dessa estrutura, empresas brasileiras podem ampliar suas conexões com outros mercados do Sudeste Asiático.

O acordo não se limita à redução de tarifas de importação. O texto estabelece um conjunto de regras para áreas que têm impacto direto na atividade empresarial, incluindo comércio de serviços, investimentos, compras governamentais, comércio eletrônico e facilitação de negócios.

Na prática, a criação de normas comuns e mecanismos de previsibilidade pode ajudar a reduzir incertezas e custos envolvidos nas operações internacionais.

Segurança jurídica é apontada como um dos principais ganhos

A expectativa de especialistas é que os efeitos do acordo sejam avaliados não apenas pela eventual redução de tarifas, mas também pela criação de um ambiente mais previsível para empresas que pretendem atuar no mercado asiático.

Para Sarah Prado Chicrala, chefe do Setor de Promoção Comercial da Embaixada do Brasil em Singapura, esse é justamente um dos principais diferenciais do tratado.

“a principal vantagem do acordo para o Brasil e para a indústria nacional não é a eliminação tarifária imediata. O diferencial está na segurança jurídica, na redução de custos transacionais e no acesso a disciplinas modernas que abrangem comércio de serviços, compras governamentais e investimentos”, destacou Chicrala em reunião na FIESC.

A existência de regras mais claras pode facilitar a tomada de decisões por empresas interessadas em exportar, investir ou estabelecer relações comerciais com parceiros de Singapura e, potencialmente, de outros países da região.

Acordo aproxima indústria brasileira das cadeias globais

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a entrada em vigor do acordo representa uma oportunidade de fortalecer a participação brasileira nas cadeias globais de valor.

A entidade avalia que a aproximação com Singapura pode contribuir para ampliar a inserção internacional da indústria brasileira, sobretudo por meio de um mercado que funciona como importante plataforma de negócios e logística na Ásia.

“A entrada em vigor deste tratado representa um marco histórico de inserção internacional. Além de assegurar acesso a um dos principais hubs logísticos e financeiros do mundo, o acordo oferece previsibilidade e mecanismos que favorecem a competitividade da indústria brasileira”, afirmou Marcus Silva, especialista da CNI.

Santa Catarina busca novos mercados

Para o setor produtivo catarinense, o início da vigência do acordo ocorre em um momento em que a diversificação das exportações ganhou importância estratégica.

A possibilidade de ampliar a presença no Sudeste Asiático pode beneficiar empresas que já atuam no comércio exterior e também estimular outras indústrias a avaliar oportunidades de internacionalização.

O desafio, a partir de agora, será transformar as condições estabelecidas pelo tratado em negócios concretos, ampliando a presença de produtos catarinenses em novos mercados e fortalecendo a competitividade da indústria estadual no cenário internacional.

Com a entrada em vigor do acordo em agosto, empresas brasileiras passam a contar com um novo marco regulatório para estreitar relações comerciais com Singapura e utilizar o país como uma possível plataforma de conexão com uma das regiões mais dinâmicas da economia mundial.

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