FIESC ALERTA PARA IMPACTO DO NOVO TARIFAÇO DOS EUA: MAIS DA METADE DAS EXPORTAÇÕES DE SC SERÁ AFETADA

FIESC afirma que novo aumento das tarifas americanas amplia os riscos para a indústria catarinense e reforça a necessidade de uma atuação diplomática para preservar mercados e empregos. (Foto: Portonave/Divulgação)

A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) demonstrou preocupação com a nova sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, medida conhecida como “Segundo Tarifaço”. O aumento das tarifas, confirmado após recomendação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), deve atingir diretamente 54,5% de toda a pauta exportadora catarinense.

Para a entidade, o impacto vai muito além das exportações e poderá comprometer a competitividade da indústria, a geração de empregos e o desenvolvimento econômico de diversas regiões do estado.

FIESC cobra maior atuação diplomática

O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, afirmou que o tamanho da economia americana exige uma postura mais estratégica nas negociações internacionais.

“O tamanho do mercado americano dá aos Estados Unidos uma elevada capacidade de negociação com qualquer parceiro do mundo. Por isso, a FIESC esperava do governo federal mais empenho diplomático e técnico e menos discurso de soberania”, declarou.

Segundo a Federação, este não seria o momento para adoção de medidas de reciprocidade tarifária, que poderiam ampliar ainda mais as dificuldades enfrentadas pelas empresas brasileiras.

Seleme também destacou que a FIESC e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizaram esforços de diplomacia empresarial junto às autoridades americanas para tentar reverter a recomendação do USTR ao presidente Donald Trump, mas avalia que o resultado acabou comprometido pela condução política do governo federal.

Exportações e empregos podem sofrer novos impactos

A Federação lembra que o primeiro aumento tarifário já provocou fortes reflexos em Santa Catarina. Na ocasião, as exportações para os Estados Unidos recuaram 38,2%, com perda estimada de aproximadamente 7,6 mil postos de trabalho.

Com o novo pacote, o cenário se agrava.

Além dos 54,5% das exportações catarinenses que passarão a sofrer a nova sobretaxa, outros 40,3% das vendas aos Estados Unidos já estavam sujeitos às tarifas previstas na Seção 232 da legislação americana. Na prática, apenas 5,2% das exportações do estado permanecerão livres de qualquer tipo de sobretaxa.

Regiões do interior concentram maiores prejuízos

De acordo com a FIESC, os setores mais afetados estão concentrados em produtos estratégicos fabricados nas regiões Serrana, Oeste e Planalto Norte, áreas consideradas fundamentais para a economia catarinense e que já enfrentam desafios para ampliar seu desenvolvimento.

Para Gilberto Seleme, o tarifaço também tende a prejudicar o próprio consumidor americano.

“O tarifaço é ruim para o Brasil e para Santa Catarina, mas também é ruim para os próprios americanos, que pagarão mais caro pelos produtos importados. Esse é o argumento que precisa ser explorado com técnica e inteligência.”

Programa Destarifaço será ampliado

Desde o primeiro aumento das tarifas, a FIESC intensificou as ações de apoio às empresas na busca por novos mercados internacionais. Segundo a entidade, mais de 500 indústrias catarinenses já receberam atendimento por meio dessas iniciativas.

Agora, a Federação prepara a segunda etapa do Programa Destarifaço, voltada às empresas impactadas pela nova medida. A proposta é ampliar o suporte ao setor produtivo, em articulação com o Governo de Santa Catarina, o governo federal e a diplomacia empresarial, buscando preservar a competitividade da indústria, proteger os empregos e fortalecer as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

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