
EDITORIAL
Há momentos em que um governo deixa de apenas administrar e passa a responder a um problema que já não admite mais espera. O lançamento do edital da ViaMar representa exatamente isso: uma reação concreta ao colapso da infraestrutura rodoviária federal em Santa Catarina.
A BR-101, principal corredor logístico do Estado e um dos mais importantes do Brasil, há muito tempo ultrapassou seu limite operacional. O crescimento econômico catarinense foi muito mais rápido do que a capacidade de investimento da União em ampliar e modernizar essa rodovia. O resultado está estampado diariamente nos quilômetros de congestionamentos, nas filas intermináveis, no atraso do transporte de cargas, na perda de produtividade das empresas e no desgaste de milhares de motoristas que dependem da estrada para trabalhar ou viajar.
Não se trata de um problema recente. Há décadas, estudos técnicos, projetos e reivindicações produzidos pelo Governo de Santa Catarina, por entidades empresariais e pelo setor produtivo alertam que a BR-101 não suportaria o avanço econômico do Estado. Enquanto Santa Catarina crescia acima da média nacional, ampliava seus portos, fortalecia sua indústria, expandia o turismo e atraía novos investimentos, a principal rodovia federal permanecia praticamente a mesma.
É difícil compreender como um Estado que figura entre os maiores arrecadadores de tributos federais continue convivendo com uma infraestrutura incompatível com sua importância econômica. A sensação é de que Santa Catarina cresceu, mas Brasília permaneceu parada no tempo.
Nesse contexto, a ViaMar deixa de ser apenas uma obra de engenharia para se tornar um símbolo de autonomia administrativa. Ao decidir investir mais de R$ 7 bilhões em uma rodovia paralela à BR-101, utilizando recursos próprios, o Governo do Estado envia uma mensagem clara: quando a resposta da União não chega, cabe aos catarinenses construir sua própria solução.
Naturalmente, uma obra dessa dimensão exigirá planejamento, rigor técnico, fiscalização permanente e responsabilidade na aplicação dos recursos públicos. A sociedade catarinense tem o direito de cobrar transparência em todas as etapas do empreendimento. Afinal, trata-se do maior investimento rodoviário da história do Estado.
Mas é igualmente necessário reconhecer que permanecer esperando já não era uma alternativa. Cada dia de congestionamento representa prejuízos para a economia, aumento dos custos logísticos, perda de competitividade, desperdício de combustível, mais emissão de poluentes e menos qualidade de vida para a população.
A ViaMar não elimina a obrigação constitucional da União de investir e manter as rodovias federais. Pelo contrário, evidencia o tamanho da dívida histórica acumulada com Santa Catarina. O projeto estadual não pode servir de justificativa para que o Governo Federal continue negligenciando a BR-101 ou adiando outras obras estruturantes indispensáveis ao desenvolvimento catarinense.
Se executada conforme planejado, a nova rodovia poderá representar um divisor de águas para a mobilidade, a logística e a economia do Estado. Mais do que desafogar o trânsito, poderá devolver competitividade às empresas, segurança aos motoristas e eficiência ao transporte de cargas.
Santa Catarina demonstra, mais uma vez, que prefere investir em soluções em vez de permanecer refém das promessas. Quando a infraestrutura federal deixa de acompanhar o desenvolvimento, abrir novos caminhos deixa de ser uma escolha política para se tornar uma necessidade econômica e social.












