SANTA CATARINA PODE REGISTRAR MAIOR COMPARECIMENTO ÀS URNAS EM 2026: NOVO PERFIL DO ELEITOR REFORÇA EXPECTATIVA

O perfil do eleitorado catarinense mudou nos últimos dois anos. O crescimento das faixas etárias que tradicionalmente registram maior participação nas eleições pode impulsionar o comparecimento às urnas em outubro de 2026. //Foto: Vicente Schmitt/Agência Alesc

O novo perfil do eleitorado catarinense divulgado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) revela mudanças importantes que podem influenciar diretamente o comparecimento às urnas nas eleições de 2026. Os dados mostram um aumento expressivo do número de eleitores nas faixas etárias que historicamente apresentam maior participação eleitoral, além do fortalecimento do engajamento entre jovens e idosos.

A expectativa é especialmente relevante porque Santa Catarina sempre figurou entre os estados com maior participação eleitoral do país. Na última década, considerando apenas o primeiro turno das eleições gerais, o comparecimento chegou a aproximadamente 87%. Em 2024, entretanto, esse índice caiu para 78%, igualando-se à média nacional.

Agora, a nova composição do eleitorado pode contribuir para reverter essa tendência.

Adultos passam a representar parcela ainda maior do eleitorado

O principal fator apontado pelos números do TRE-SC está no crescimento dos eleitores entre 30 e 69 anos, justamente o grupo que mais comparece às urnas.

Entre as eleições municipais de 2024 e o pleito geral de 2026, Santa Catarina ganhou aproximadamente 71 mil novos eleitores nessa faixa etária.

Ao mesmo tempo, houve redução de cerca de 61 mil pessoas entre 18 e 29 anos, grupo que, embora tenha voto obrigatório, costuma registrar índices mais elevados de abstenção.

Na prática, a mudança altera a composição do eleitorado catarinense, favorecendo um perfil historicamente mais participativo.

Jovens continuam respondendo às campanhas da Justiça Eleitoral

Outro dado considerado positivo envolve os adolescentes de 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo.

O grupo aumentou em aproximadamente 4 mil novos eleitores desde 2024, consolidando uma tendência de crescimento observada desde as eleições de 2018.

Para o desembargador do TRE-SC e diretor da Escola Judiciária Eleitoral de Santa Catarina (EJESC), Sérgio Francisco Carlos, esse resultado demonstra que as ações desenvolvidas pela Justiça Eleitoral vêm produzindo efeitos positivos junto aos mais jovens.

Além disso, especialistas lembram que eleições gerais costumam despertar maior interesse da população por escolherem presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais.

Envelhecimento da população amplia peso eleitoral dos idosos

Outro movimento importante ocorre entre os eleitores com 70 anos ou mais, cujo voto também é facultativo.

Esse grupo ganhou aproximadamente 73 mil novos eleitores desde 2024 e já representa cerca de 10% de todo o eleitorado catarinense.

Embora a participação desse público venha crescendo desde 2018, ela permanece abaixo da média geral, sobretudo entre pessoas com mais de 80 anos.

Segundo o desembargador Sérgio Francisco Carlos, ainda existe espaço para ampliar esse comparecimento.

Ao comentar os fatores que afastam parte dos idosos das urnas, o magistrado afirma que não existe uma única explicação e cita questões como problemas de saúde, dificuldades de mobilidade urbana e o próprio desestímulo político.

Justiça Eleitoral amplia medidas para facilitar o voto

Para reduzir essas dificuldades, a Justiça Eleitoral mantém uma série de mecanismos destinados a garantir maior acessibilidade.

Eleitores com 60 anos ou mais possuem prioridade nas filas das seções eleitorais.

Já aqueles com 80 anos ou mais contam com prioridade especial, sendo atendidos antes dos demais idosos.

Também é assegurado às pessoas com mobilidade reduzida o direito de votar acompanhadas por pessoa de sua confiança.

Mulheres ampliam maioria entre os eleitores catarinenses

Os dados do TRE-SC também mostram o fortalecimento da presença feminina no eleitorado.

Santa Catarina possui atualmente 5.725.753 eleitores, cerca de 85 mil a mais do que em 2024.

As mulheres continuam sendo maioria e ampliaram essa diferença.

Há dois anos existiam aproximadamente 212 mil eleitoras a mais que homens. Em 2026, essa vantagem aumentou para cerca de 258 mil eleitoras.

Apesar disso, os dados históricos ainda não permitem afirmar que esse crescimento terá impacto direto sobre o comparecimento às urnas.

Escolaridade cresce e eleitorado segue mais qualificado

O levantamento também aponta evolução gradual da escolaridade dos catarinenses.

Mesmo com esse avanço, o Ensino Médio completo continua sendo o nível de instrução predominante entre os eleitores do Estado.

Já o perfil racial sofreu poucas alterações.

Apenas 10% dos eleitores catarinenses informaram cor ou raça à Justiça Eleitoral, percentual semelhante ao registrado nacionalmente.

Nas eleições de 2024, entretanto, eleitores autodeclarados pretos e pardos apresentaram índices de abstenção superiores aos demais grupos.

Voto facultativo ainda registra comparecimento inferior

Os três grupos para os quais o voto é facultativo — jovens de 16 e 17 anos, idosos acima de 70 anos e pessoas analfabetas — representam atualmente pouco menos de 12% do eleitorado catarinense.

Embora jovens e idosos estejam comparecendo mais às urnas nos últimos anos, a diferença continua significativa.

Nas eleições municipais de 2024, aproximadamente 81% dos eleitores com voto obrigatório participaram da votação, enquanto entre aqueles com voto facultativo o índice ficou em torno de 59%.

Abstenção traz consequências para quem tem voto obrigatório

A Justiça Eleitoral lembra que deixar de votar sem justificativa pode trazer diversas restrições para quem possui voto obrigatório.

Entre elas estão impedimentos para participar de concursos públicos, tomar posse em cargos públicos, emitir passaporte, regularizar o CPF, matricular-se em instituições públicas de ensino, participar de programas sociais e realizar outros atos da vida civil.

Após três eleições consecutivas sem votar nem justificar a ausência, o título eleitoral poderá ser cancelado.

Por outro lado, a regularização da situação eleitoral é considerada simples e envolve o pagamento de multas de baixo valor.

Democracia fortalecida pela participação

Para o desembargador Sérgio Francisco Carlos, os efeitos das sanções administrativas existem e ajudam a estimular a regularização eleitoral. No entanto, ele acredita que o principal caminho continua sendo o fortalecimento da consciência cidadã.

Ao resumir a importância da participação popular nas eleições, o magistrado faz uma defesa enfática do voto como instrumento democrático.

“A participação deixa a democracia mais altiva.”

Raio-X do eleitorado catarinense em 2026

* Eleitores aptos: 5.725.753

* Crescimento do eleitorado: +85 mil em relação a 2024

* Faixa etária que mais cresceu: 30 a 69 anos (+71 mil)

* Jovens de 18 a 29 anos: redução de 61 mil eleitores

* Jovens de 16 e 17 anos: aumento de 4 mil novos eleitores

* Eleitores com 70 anos ou mais: crescimento de 73 mil pessoas

* Mulheres: maioria ampliada, com 258 mil eleitoras a mais que homens

* Voto facultativo: representa pouco menos de 12% do eleitorado

* Comparecimento em 2024:

* Voto obrigatório: 81%
* Voto facultativo: 59%

* Escolaridade predominante: Ensino Médio completo.

ALESC EXPLICA

O que são eleições gerais?

São as eleições realizadas a cada quatro anos para escolher presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais.

Quem tem voto facultativo no Brasil?

O voto é facultativo para jovens de 16 e 17 anos, pessoas com 70 anos ou mais e eleitores analfabetos. Para os demais cidadãos alfabetizados entre 18 e 69 anos, o voto é obrigatório.

O que acontece com quem deixa de votar?

Quem possui voto obrigatório e não vota nem justifica a ausência fica em situação eleitoral irregular até regularizar a pendência junto à Justiça Eleitoral. A permanência dessa irregularidade pode gerar restrições legais e administrativas.

O que é abstenção eleitoral?

É o não comparecimento do eleitor às urnas no dia da votação. Para quem tem voto obrigatório, a ausência sem justificativa exige posterior regularização da situação eleitor.

(Fonte: Reportagem Especial Agência Alesc)

 

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