EDITORIAL: FLORIANÓPOLIS FINALMENTE ENTRA PELA PORTA DA FRENTE DO TURISMO INTERNACIONAL

Há obras que mudam a paisagem. Outras mudam a história. O início da construção do Parque Urbano e da Marina da Beira-Mar Norte tem potencial para fazer as duas coisas.

Durante décadas, Florianópolis vendeu ao mundo a imagem de uma ilha cercada por belezas naturais, mas, na prática, permaneceu de costas para o mar quando o assunto era desenvolvimento. Parece um contrassenso para uma cidade cuja principal atividade econômica é o turismo, mas essa sempre foi a realidade.

O início das obras da Marina e do Parque Urbano da Beira-Mar Norte representa muito mais do que um investimento de R$ 350 milhões. É, talvez, a decisão mais importante para o turismo da Capital nas últimas décadas. Um divisor de águas na história da cidade.

Enquanto Porto Belo, Balneário Camboriú e Itajaí compreenderam há anos que o turismo marítimo movimenta milhões de dólares e passaram a receber cruzeiros internacionais, Florianópolis assistiu de longe. Os navios chegavam a Santa Catarina, milhares de turistas desembarcavam, consumiam, movimentavam a economia regional, e a Capital, mesmo sendo o principal cartão-postal do estado, ficava fora desse roteiro.

Essa lógica começa, enfim, a mudar

A marina representa a entrada definitiva de Florianópolis em um mercado extremamente competitivo: o do turismo náutico internacional. Não é apenas um novo equipamento urbano. É a construção de uma nova porta de entrada para a cidade. Uma porta voltada para o mar.

Quando essa estrutura estiver concluída e plenamente consolidada, Florianópolis terá condições de disputar espaço nas rotas internacionais de embarcações de lazer, grandes iates e, principalmente, de ampliar sua participação no mercado de cruzeiros marítimos. Isso significa atrair visitantes que hoje passam por Santa Catarina sem conhecer sua capital.

E cada turista que desembarca representa muito mais do que uma fotografia na Ponte Hercílio Luz ou um passeio pela Lagoa da Conceição. Representa hotéis ocupados, restaurantes cheios, comércio aquecido, motoristas trabalhando, guias turísticos empregados, artesãos vendendo sua produção e centenas de pequenos empreendedores gerando renda. É dinheiro circulando na economia local, fortalecendo justamente a maior indústria de Florianópolis: o turismo, a conhecida indústria sem chaminés.

Mais do que isso, a marina ajuda a reduzir uma das maiores fragilidades do setor turístico da Capital: a dependência quase exclusiva do visitante que chega por rodovias ou pelo aeroporto. O acesso marítimo amplia mercados, diversifica o perfil dos visitantes e fortalece Florianópolis como destino internacional.

O Parque Urbano completa essa transformação. Não será apenas uma marina cercada por concreto, mas um espaço público de convivência, lazer, esporte e contemplação, devolvendo parte da orla aos moradores e qualificando uma das áreas mais nobres da cidade.

Naturalmente, uma obra dessa dimensão exige fiscalização permanente. As condicionantes ambientais precisam ser rigorosamente cumpridas, a mobilidade deve ser acompanhada e o interesse público deve prevalecer durante toda a execução. Crescer sem responsabilidade não interessa a ninguém.

Mas é preciso reconhecer quando uma cidade toma uma decisão capaz de mudar seu futuro.

Durante muito tempo, Florianópolis viveu da beleza que a natureza lhe ofereceu. Agora surge a oportunidade de transformar essa beleza em desenvolvimento econômico permanente, geração de empregos, valorização urbana e projeção internacional.

Poucas obras carregam um significado tão simbólico quanto esta. Pela primeira vez em muitos anos, Florianópolis deixa de olhar apenas para suas praias e passa a enxergar o mar como uma verdadeira avenida de oportunidades.

A Capital catarinense sempre teve vocação para ser protagonista no turismo brasileiro. Com a Marina e o Parque Urbano da Beira-Mar Norte, ela dá um passo decisivo para conquistar também um lugar de destaque no turismo internacional.

A história poderá registrar este momento como o dia em que Florianópolis, finalmente, deixou de estar apenas à beira do mar e passou a fazer do mar um dos seus maiores caminhos para o futuro.

Na minha avaliação, este é um daqueles empreendimentos que podem ser considerados históricos. Assim como a construção da Ponte Hercílio Luz mudou a ligação da Ilha com o continente, a Marina da Beira-Mar Norte tem potencial para mudar a relação de Florianópolis com o mar e projetar a cidade em um novo patamar no turismo nacional e internacional. É uma obra que pode marcar uma nova era para a economia da Capital.

 

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