
A tecnologia digital no meio rural catarinense entra na mira do Governo do Estado. Com investimento de R$ 830 milhões, o governador Jorginho Mello sancionou a Lei 19.936, de 30 de junho de 2026, que cria o Programa Sinal Bom em Santa Catarina, iniciativa voltada à expansão da cobertura de internet e telefonia móvel em comunidades rurais, pequenos municípios e ao longo das rodovias estaduais.
O objetivo é enfrentar um dos principais gargalos para o desenvolvimento do interior: a falta de conectividade. A ampliação do acesso à internet e aos serviços de telefonia deverá beneficiar milhares de produtores rurais, estudantes, empreendedores e moradores do campo, além de reforçar a segurança de quem trafega pelas rodovias catarinenses.
Aprovado pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), o programa será coordenado pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), em parceria com a Secretaria de Estado da Fazenda (SEF) e a Celesc, com a missão de reduzir as desigualdades de acesso às telecomunicações em todas as regiões do Estado.
“Não dá mais para aceitar áreas sem internet e sem sinal de telefone. Estamos investindo pesado para conectar o campo, os pequenos municípios e as rodovias. Quem vive no interior também merece acesso à tecnologia, oportunidades e serviços com a mesma qualidade de quem está nos grandes centros”, afirma o governador Jorginho Mello.
Mais sinal para quem vive e produz no interior
O Programa Sinal Bom foi estruturado em duas frentes de investimento.
A primeira prevê até R$ 580 milhões para ampliar a cobertura de telefonia móvel por meio da instalação de novas Estações Rádio Base (ERBs), levando sinal de celular para comunidades rurais e trechos de rodovias estaduais que hoje apresentam deficiência ou ausência de cobertura.
A segunda linha destina até R$ 250 milhões para expandir redes fixas de fibra óptica em regiões de baixa densidade populacional, especialmente pequenos municípios e áreas rurais.
Além dos investimentos diretos, a iniciativa cria mecanismos de incentivo para ampliar a infraestrutura de telecomunicações. A Celesc poderá adotar uma política diferenciada de preços para o compartilhamento de postes em áreas rurais, facilitando a instalação e a manutenção de redes de fibra óptica.
Desafio da inclusão digital
Os investimentos buscam reduzir uma das maiores desigualdades tecnológicas do Estado. Embora Santa Catarina possua cobertura de internet em 92,3% do território, nas áreas rurais esse índice cai para apenas 48,12%, segundo levantamentos técnicos utilizados na elaboração do programa.
A limitação afeta desde a comunicação entre famílias até o uso de tecnologias no agronegócio, ensino a distância, telemedicina, acesso a serviços públicos digitais e atendimento em situações de emergência.
Para o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Edi Dalla Cort, ampliar a conectividade representa um passo estratégico para fortalecer o desenvolvimento do campo.
“Estar conectado é essencial para produção agropecuária, para acesso aos serviços públicos e para a qualidade de vida das famílias do campo. Com o Programa Sinal Bom, estamos criando condições para que mais catarinenses tenham acesso à informação e inovação”, destaca o secretário.
Desenvolvimento, inovação e segurança
Além de impulsionar a competitividade do agronegócio catarinense, o Programa Sinal Bom deverá ampliar o acesso à educação, saúde e serviços digitais, reduzir o isolamento de comunidades do interior e oferecer maior segurança para moradores e motoristas nas rodovias estaduais, consolidando a conectividade como ferramenta de desenvolvimento econômico e inclusão social
Os estudos técnicos que embasaram o programa apontam a necessidade da implantação de 688 novas estações rádio-base em Santa Catarina, em locais estrategicamente definidos por levantamento técnico da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan) e da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI). Com a expansão, a cobertura total do Estado poderá alcançar 99,4%.
Todas essas ações seguirão a regulamentação federal aplicável, especialmente as normas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e da Agência Nacional de Energia (Aneel).

Imagem: Seplan
Dois anos de estudos
Para elaboração do Programa, a Secretaria de Estado do Planejamento atuou diretamente no estudo dos locais que receberão a infraestrutura prevista no Programa Sinal Bom. De forma prática, técnicos da Seplan fizeram um levantamento para identificar os melhores pontos para instalação das antenas e melhorar o sinal, bem como o mapeamento da rede de fibra ótica. Para se chegar a essas indicações, foram dois anos de estudos de topografia, análise territorial e levantamento de dados sobre a cobertura que existe atualmente. Entre os materiais desenvolvidos, foi feita a sinalização geográfica no mapa de Santa Catarina para a instalação dessas antenas, apontando também as já existentes.













