SC: PARQUE ESTADUAL DA SERRA DO TABULEIRO ABRIGA O PREÁ-DE-MOLEQUES-DO-SUL, MAMÍFERO COM A MENOR DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DO PLANETA

Preá-de-moleques-do-sul vive exclusivamente nas Ilhas Moleques do Sul, área protegida do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e considerada uma das regiões mais frágeis do ponto de vista ambiental em Santa Catarina. //Crédito de fotos: Diego José Santana e Luciano Candisani//

O Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, maior unidade de conservação de proteção integral de Santa Catarina, guarda um dos cenários evolutivos mais singulares do planeta. Em meio ao litoral catarinense, as Ilhas Moleques do Sul se tornaram o único habitat conhecido do preá-de-moleques-do-sul (Cavia intermedia), espécie considerada uma raridade biológica mundial.

Descendente da Cavia magna, o pequeno mamífero detém o título de espécie com a menor distribuição geográfica do mundo. Restrita ao arquipélago e cercada por um ecossistema extremamente sensível, a população do animal não ultrapassa 50 indivíduos, o que transforma sua preservação em uma corrida contra o tempo.

Espécie ameaçada e vulnerabilidade genética

No Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina, órgão responsável pela gestão do parque, pesquisadores acompanham permanentemente os esforços de conservação da espécie. A bióloga Luthiana Carbonell dos Santos destaca que a raridade do preá também representa um desafio biológico crítico.

“O preá-de-moleques-do-sul é uma espécie ameaçada de extinção e tem uma distribuição muito restrita. Ao longo da evolução, os indivíduos vêm cruzando entre si, o que reduz a variabilidade genética e confere pouca resiliência frente a impactos externos que possam ser levados para a ilha”, afirma.

Área intangível e proteção máxima

A fragilidade do ambiente levou o arquipélago a receber a classificação de Zona Intangível do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, medida que impede o desembarque de visitantes e restringe a interferência humana no local.

“O desembarque no local é proibido devido à fragilidade dessa espécie. A ilha é um verdadeiro extremo biológico; é admirável como um mamífero conseguiu evoluir e persistir por tanto tempo em um espaço tão pequeno, com recursos tão escassos”, ressalta Luthiana.

Santa Catarina como refúgio da biodiversidade

O caso do preá-de-moleques-do-sul simboliza a importância estratégica das unidades de conservação catarinenses para a manutenção da biodiversidade brasileira. Além de proteger ecossistemas ameaçados, áreas como o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro também se transformam em laboratórios naturais para pesquisas científicas e novas descobertas sobre a fauna e a flora do Estado.

Esforço coletivo

Foto: Luciano Candisani

Para garantir a sobrevivência de tesouros naturais como o preá, o esforço é coletivo. A espécie possui um plano estadual de conservação coordenado pelo IMA e é prioridade em nível nacional, integrando o Plano Nacional para a Conservação dos Pequenos Mamíferos Florestais, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

“É um grande desafio por se tratar de uma área muito próxima ao continente. Por isso, levar o conhecimento científico à população é fundamental para que todos compreendam por que não se pode desembarcar na ilha e para que esse ecossistema possa ser admirado e preservado”, conclui Luthiana.

É estritamente proibido o desembarque no local sem autorização prévia do IMA. A ilha é fiscalizada pela Marinha, Polícia Ambiental e IMA. Caso presencie o desembarque irregular no Arquipélago Moleques do Sul entre em contato com a Polícia Militar Ambiental  (48) 3365-4906

Pingo-de-ouro

Foto: Diego José Santana

O potencial científico do parque, contudo, vai além do preá-de-moleques-do-sul. A unidade de conservação funciona como um laboratório vivo, onde o isolamento geográfico e a diversidade de habitats continuam revelando surpresas. Um exemplo é a recente descrição do Brachycephalus tabuleiro, conhecido como pingo-de-ouro-do-tabuleiro, anfíbio batizado em homenagem à unidade.

Para o biólogo Daniel de Araújo Costa, coordenador do parque pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), essas descobertas reforçam a relevância científica da área.“Não temos apenas espécies exclusivas, mas também espécies com distribuição extremamente restrita. A descoberta desse novo anfíbio reforça que a unidade é um espaço de constante revelação científica e indica que ainda há muito a ser descoberto dentro do parque”, pontua.

O papel estratégico do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro

Além de abrigar espécies raras, o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro desempenha papel essencial para a infraestrutura e a qualidade de vida em Santa Catarina. Com 84.130 hectares, a unidade de conservação é a principal fonte de abastecimento hídrico para mais de um milhão de pessoas na Grande Florianópolis e no Litoral Sul. A preservação das bacias dos rios Cubatão, D’Una e Vale do Braço garante o fornecimento de água potável à população.

Reconhecido pela Unesco como Zona Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, o parque é administrado pelo IMA. O trabalho de conservação reúne, além do instituto, instituições como a Polícia Militar Ambiental, a Marinha do Brasil, a Universidade Federal de Santa Catarina, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e o Instituto Tabuleiro.

Foto: Jonatã Rocha/SecomGOVSC

Serviço:

  • Centro de Visitantes do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro: O Parque Estadual da Serra do Tabuleiro é administrado pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) e mantém uma estrutura voltada à educação ambiental e ao monitoramento da biodiversidade.
  • Localização: Centro de Visitantes do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, Maciambu. O acesso é feito pela BR-101, no km 238.
  • Funcionamento: de quarta a domingo, das 9h às 17h.
  • Atividades: o centro oferece suporte aos visitantes por meio de palestras e acesso ao Eco Museu, com foco na conscientização sobre a importância dos recursos hídricos e da fauna protegida pela unidade de conservação.

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