REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO PODE GERAR IMPACTO DE R$ 10,8 BILHÕES NAS COOPERATIVAS DE SANTA CATARINA

O presidente da OCESC, Vanir Zanatta, alerta para os impactos econômicos que a redução da jornada de trabalho pode gerar para as cooperativas catarinenses e para a competitividade do setor. ( Foto MB Comunicação).

Um levantamento da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC) revela que a possível redução da jornada semanal de trabalho no Brasil poderá gerar um impacto de aproximadamente R$ 10,8 bilhões por ano nas cooperativas catarinenses.

A proposta, que prevê a diminuição da carga semanal de 44 para 40 ou até 36 horas, deve ser analisada pelo Congresso Nacional do Brasil ainda neste semestre. Segundo o estudo, a medida pode provocar aumento expressivo de custos operacionais e perda de competitividade em diversos setores da economia cooperativista.

Mais contratações e aumento das despesas

Atualmente, as cooperativas catarinenses mantêm 102.402 empregados diretos. Caso a jornada seja reduzida para 40 horas semanais, será necessária a contratação de 12.394 novos trabalhadores, gerando um custo mensal estimado de R$ 74,3 milhões.

Se a carga horária cair para 36 horas semanais, o número de novas contratações pode chegar a 26.664 funcionários, elevando o custo mensal para cerca de R$ 159,9 milhões.

De acordo com o estudo, isso representaria um aumento de até 26% no quadro de funcionários apenas para compensar a redução da jornada.

Pleno emprego agrava cenário em Santa Catarina

Outro fator apontado pelo levantamento é a escassez de mão de obra no estado. No terceiro trimestre de 2025, Santa Catarina registrou taxa de desemprego de apenas 2,3%, considerada tecnicamente como situação de pleno emprego.

O presidente da OCESC, Vanir Zanatta, alerta que esse cenário dificulta ainda mais a reposição de trabalhadores.

“Não existe mão de obra ociosa em nosso estado. Setores como agricultura, comércio e serviços terão dificuldade para contratar novos trabalhadores e manter linhas de produção, indústrias, lojas, granjas e frigoríficos funcionando”, afirmou.

Produção e faturamento podem cair

Caso a jornada seja reduzida sem novas contratações, o estudo indica uma queda significativa na produção e no faturamento das cooperativas, com perdas estimadas em R$ 10,8 bilhões por ano.

O setor agropecuário aparece como o mais afetado, podendo registrar redução de até 16% no faturamento, com impacto estimado superior a R$ 9,2 bilhões.

Outros ramos também podem sentir reflexos:

  • Saúde: queda estimada de 10% no faturamento
  • Crédito: redução de 4%
  • Transporte: retração de 5%

Impactos na economia e no custo de vida

Segundo Zanatta, a mudança na jornada de trabalho pode gerar uma cadeia de efeitos econômicos, como aumento de preços e perda de competitividade.

“A redução da jornada sem diminuição proporcional do salário aumenta o custo da hora trabalhada. Isso pode resultar em inflação, perda de competitividade e aumento do custo de vida para a população”, destacou.

Ele também alerta para o risco de crescimento da informalidade, já que empresas podem buscar alternativas fora do mercado formal para reduzir custos.

Produtividade do Brasil preocupa

O dirigente também menciona dados recentes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que apontam o Brasil apenas na 94ª posição entre 184 países no ranking global de produtividade do trabalho.

Além disso, a média semanal de trabalho no país é de 38,9 horas, já inferior à jornada registrada em 97 países analisados pela organização.

Defesa de negociação entre trabalhadores e empresas

Para o presidente da OCESC, o caminho mais equilibrado seria discutir a jornada por meio de negociações coletivas.

“Mais sensato do que criar leis que engessam atividades econômicas seria permitir que empregadores e empregados decidam essa questão por meio do diálogo entre sindicatos”, defendeu.

 

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