ECONOMIA DO MAR IMPULSIONA EMPREGOS EM SANTA CATARINA E REFORÇA VOCAÇÃO ESTRATÉGICA DO ESTADO

Setor reúne 250 mil trabalhadores formais e responde por 13% dos novos empregos no estado em um ano. ==Foto: Divulgação/SCPARPortodeImbituba==

Santa Catarina consolida sua vocação marítima como motor econômico e social. Com cerca de 250 mil trabalhadores formais, o equivalente a 8,5% da força de trabalho do estado, a chamada Economia do Mar ganha protagonismo ao responder por quase 6 mil novos empregos com carteira assinada em apenas 12 meses. O desempenho coloca o setor como responsável por 13% de todo o saldo de vagas geradas no período, reforçando o papel estratégico das atividades ligadas ao mar no desenvolvimento catarinense.

Os dados integram uma edição especial do Informativo Mensal de Emprego, elaborada pela Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan/SC) com base nos microdados do Novo Caged divulgados em março de 2026. O levantamento foi apresentado oficialmente durante o Blue Nautical HUB Brasil 2026, dentro da programação do III Simpósio Internacional Economia Azul, realizado nesta quarta-feira (29), em Florianópolis.

“O mar e as atividades pesqueiras fazem parte da história e da cultura de Santa Catarina. Criamos a Secretaria de Aquicultura e Pesca para dar a esse setor a atenção que merece. Do mar vem sustento de muitas famílias, mas também uma contribuição importante pra nossa economia. Lançamos no ano passado o Programa Pescados SC, exatamente para aumentar a produtividade, entregando equipamentos, tratores, guinchos e disponibilizando crédito facilitado”, destaca o governador Jorginho Mello.

O evento reuniu representantes da indústria, comércio, serviços, turismo náutico, marinas, estaleiros, além de investidores, pesquisadores e gestores públicos, consolidando-se como um espaço estratégico para geração de negócios e integração de cadeias produtivas ligadas ao mar.

Desempenho acima da média

O avanço catarinense supera a média nacional, onde as atividades da Economia do Mar responderam por 12% do saldo de empregos. Somente em fevereiro de 2026, Santa Catarina registrou 1.929 novos vínculos formais no setor, o equivalente a 11% do total dessas atividades em todo o país.

“A Economia do Mar revela a diversidade e a maturidade do nosso tecido produtivo. Santa Catarina não apenas lidera em setores tradicionais como a pesca e o beneficiamento de pescado, mas também avança com vigor em segmentos de maior valor agregado, como armazenamento logístico, engenharia e serviços. Os números confirmam que o mar é, para nós, muito mais do que uma fronteira geográfica, é uma vocação estratégica de desenvolvimento econômico e social”, explica o secretário estadual do Planejamento de Santa Catarina, Arão Josino.

Liderança nacional e diversificação

Santa Catarina concentra 45% dos empregos formais do país na pesca e 27% nas atividades de preservação e fabricação de produtos do pescado, liderando o ranking nacional nesses segmentos.

O estado também ocupa a segunda posição em áreas industriais ligadas à Economia do Mar, como a fabricação de motores, bombas e compressores, além da construção de embarcações, instrumentos de medição e artefatos para pesca e esporte.

Setores que mais geram empregos

Entre março de 2025 e fevereiro de 2026, o destaque na geração de vagas ficou com o segmento de armazenamento, carga e descarga, responsável por 1.744 novos postos de trabalho. Na sequência aparecem manutenção e reparação de máquinas e equipamentos (1.206 vagas) e fabricação de produtos alimentícios (967 vagas).

Além disso, SC concentra 45% dos empregos formais brasileiros na pesca e 27% na preservação do pescado e na fabricação de produtos do pescado, liderando o ranking nacional em ambos os grupos.

Cerca de 65% do saldo das novas contratações foi gerado por microempresas e empresas de pequeno porte em Santa Catarina e 35% pelas de médio e grande porte. Ainda de acordo com o Novo Caged, 51% dos novos empregados eram homens e 49% mulheres, no ciclo cadastrado.

Oferta de empregos na área cresceu 25% em uma década

Os dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024 mostraram que ao longo de uma década, o crescimento foi expressivo: os empregos no setor aumentaram 25% em comparação a 2014, com acréscimo de quase 50 mil trabalhadores formais, ritmo superior ao verificado no restante do país (15%).

O dinamismo também se reflete no número de estabelecimentos: de 15.871 em 2014, o estado passou para 23.515 unidades ligadas à Economia do Mar em 2024, alta de 48%. A massa salarial mensal movimentada por esses 30 grupos de atividades soma aproximadamente R$1,158 bilhão, um crescimento de 20% frente ao valor registrado em dezembro de 2014, de R$964 milhões.

Crescimento em diversas regiões do estado

Na distribuição regional, três regiões concentram 61% dos empregos formais da Economia do Mar: a Associação dos Municípios da Grande Florianópolis (GRANFPOLIS) obteve 28%, a Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí (AMFRI), com 18% e a Associação dos Municípios do Nordeste de Santa Catarina (AMUNESC), com 15%.

No entanto, os maiores crescimentos entre 2014 a 2024, os maiores crescimentos foram registrados na Associação dos Municípios do Extremo Oeste de Santa Catarina (AMEOSC), com 77% e na Associação dos Municípios Região de Laguna (AMUREL), com índices superiores a 73%, indicando interiorização e capilaridade do setor. Os municípios com maior contingente de trabalhadores formais nessas atividades são Florianópolis, Joinville e Itajaí, que juntos somaram mais de 82 mil vínculos.

“Diversificar com inteligência é o caminho. Economias mais complexas são mais adaptáveis, inovadoras e inclusivas. E há uma relação direta: quanto mais forte e diversificada a economia local, maior tende a ser o Índice de Desenvolvimento Humano”, explica o secretário adjunto Lucas Amancio.

Sobre o Informativo Mensal de Emprego

O Informativo Mensal de Emprego é uma publicação da Diretoria de Políticas Públicas (DIPP) da Secretaria de Estado do Planejamento de Santa Catarina (Seplan/SC). A edição ora divulgada adota a metodologia de Mensuração da Economia do Mar no Brasil, desenvolvida em parceria pelo Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). A análise compreende 30 grupos de atividades que utilizam o espaço oceânico como insumo ou base operacional.

 

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