
O aumento expressivo no preço do óleo diesel reacendeu o alerta no setor de transporte rodoviário de cargas no Brasil. A NTC&Logística e entidades sindicais ligadas à cadeia produtiva afirmam que as empresas não têm mais margem para absorver os custos e defendem o repasse imediato ao valor do frete.
A avaliação é de que a revisão tarifária deixou de ser uma alternativa e passou a ser uma condição essencial para manter o equilíbrio econômico das operações e garantir o abastecimento nacional.
Diesel: o peso que move e trava o setor
Principal insumo da atividade, o diesel representa cerca de 35% dos custos operacionais do transporte, podendo ultrapassar 50% em operações de longa distância. Com a recente escalada de preços — superior a 20% na média nacional, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis — o impacto nas empresas é imediato e severo.
Em algumas regiões, o aumento já ultrapassa 50%, ampliando a pressão sobre transportadoras e operadores logísticos.
Apesar de ações anunciadas pelo Governo Federal, como a redução de PIS e Cofins sobre o diesel, o setor afirma que não há efeito prático para empresas que operam no regime não cumulativo. Isso porque a diminuição do tributo na compra do combustível é anulada pela impossibilidade de aproveitamento de créditos tributários na cadeia seguinte.
Na prática, segundo as entidades, o cenário é de aumento real de custos somado à perda de créditos fiscais, um efeito duplo que agrava a situação financeira.
Outro ponto de tensão é a Medida Provisória nº 1.343/2026, que trata da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. Embora tenha como objetivo evitar paralisações de transportadores autônomos, o texto impõe penalidades consideradas desproporcionais às empresas.
Entre elas, estão a possibilidade de suspensão ou cassação do registro na Agência Nacional de Transportes Terrestres, multas que podem chegar a R$ 10 milhões e até impedimento de atuação no setor.
Responsabilidade compartilhada e distorções
As entidades também contestam a narrativa de responsabilização das transportadoras. Dados do próprio Ministério dos Transportes indicam que os maiores volumes de autuações da ANTT recaem, em sua maioria, sobre embarcadores — e não sobre empresas de transporte.
Para o setor, isso evidencia uma distorção no debate público e nas medidas adotadas.
Responsável por grande parte da logística nacional, o transporte rodoviário de cargas reforça seu papel estratégico na economia brasileira. Durante a pandemia e em situações de crise, o segmento garantiu o abastecimento de produtos e atuou em ações emergenciais, inclusive em desastres ambientais.
Mesmo diante do cenário adverso, a NTC&Logística afirma que não apoia paralisações ou bloqueios de rodovias e reforça o compromisso com a continuidade das operações.
Reajuste no frete: inevitável
A entidade é categórica: o repasse dos custos ao frete não é uma decisão opcional, mas uma medida necessária para a sobrevivência das empresas, cumprimento do piso mínimo e manutenção do fluxo logístico.
O setor defende ainda a regularidade no fornecimento de diesel em todo o país e a intensificação da fiscalização contra possíveis práticas especulativas na formação de preços.













