
O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) iniciou, no sábado (19), uma das etapas formais que antecedem as Eleições 2026: a preparação das urnas eletrônicas. Até 28 de setembro, serão preparados 18.935 equipamentos destinados às 17.326 seções eleitorais distribuídas pelo estado.
O procedimento inclui a instalação do sistema de votação, a inserção dos dados das candidaturas e das informações dos eleitores de cada seção, além da realização de testes e da lacração dos equipamentos com selos produzidos pela Casa da Moeda do Brasil.
A preparação é realizada pelas 100 Zonas Eleitorais de Santa Catarina em audiências públicas, abertas à sociedade e acompanhadas por representantes dos partidos políticos e de instituições fiscalizadoras, como o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Entre os dias 21 e 22 de setembro, seis integrantes da Justiça Eleitoral acompanharam simultaneamente as cerimônias realizadas em dez municípios catarinenses: o presidente do TRE-SC, desembargador Carlos Roberto da Silva; o vice-presidente e corregedor regional eleitoral, desembargador Saul Steil; e os desembargadores eleitorais Jaime Machado Júnior, Márcio Schiefler Fontes, Marcelo Pizolati e José Sérgio da Silva Cristóvam.
“A Justiça Eleitoral não tem segredos”
Presente nas audiências de preparação das urnas em Itajaí, Joinville, Blumenau e Florianópolis, o presidente do TRE-SC, desembargador Carlos Roberto da Silva, defendeu que uma etapa tradicionalmente técnica e rotineira seja cada vez mais conhecida pela população.
“Nós idealizamos uma mensagem institucional para as Eleições 2026: Diálogo e Paz, a partir da ideia e premissa que vivenciamos, nas últimas eleições, um ambiente excessivamente hostil e belicoso, de uma disputa que transcendia a disputa do campo das ideias, das propostas. E, neste cenário, poderia trazer algum prejuízo para a livre e soberana escolha do eleitor de seus candidatos. Dentro desta proposta de Diálogo e Paz, nós incorporamos a defesa intransigente da segurança do nosso processo eletrônico de votação. Nós que trabalhamos na Justiça Eleitoral sabemos desta segurança, conhecemos internamente os processos. Mas, precisávamos fazer chegar à grande parcela da sociedade o que acontece nessas etapas. A Justiça Eleitoral não tem segredos. Nós temos um processo eletrônico absolutamente seguro, transparente e este momento é um exemplo disso. A preparação das urnas eletrônicas é feita publicamente, aos olhos de todos”, falou.
Em Criciúma e Tubarão, o vice-presidente do TRE-SC e corregedor regional eleitoral, desembargador Saul Steil, também destacou o caráter público do procedimento.
“A fidedignidade e a lisura de nosso trabalho está na presença da sociedade. Esta etapa, acima de tudo, vai dar garantia ao eleitor de que ele vai escolher o seu representante livre e conscientemente”.
Joinville inicia preparação de 1.409 urnas
Maior colégio eleitoral de Santa Catarina, Joinville possui cinco Zonas Eleitorais, cujas cerimônias de preparação acontecem em datas diferentes, com conclusão prevista para 26 de setembro.
A 76ª Zona Eleitoral iniciou, na segunda-feira (21), a preparação de 308 urnas eletrônicas no Centreventos Cau Hansen, de um total de 1.409 equipamentos utilizados no município.
Para o juiz eleitoral Daniel Radnuz, da 76ª ZE, a audiência pública tem na transparência um de seus principais objetivos.
“Não basta que nós afirmemos a segurança do processo, temos que incluir as pessoas nele. Ser público não é só fiscalizar ou checar, é ver e conhecer de perto”, discursou.
Florianópolis terá 1.271 urnas
Segundo maior eleitorado do estado, Florianópolis conta com três Zonas Eleitorais e terá 1.271 urnas eletrônicas disponíveis para as eleições.
A primeira audiência ocorreu no domingo (20), na Casa da Urna, em Biguaçu, com a configuração de 421 equipamentos da 13ª Zona Eleitoral.
Na terça-feira (22), foi a vez da 12ª ZE preparar 432 urnas, sendo 22 destinadas à contingência.
O presidente do TRE-SC, Carlos Roberto da Silva, acompanhou a cerimônia e reforçou o caráter público do procedimento.
“Este é um momento de reafirmação da segurança do processo eletrônico de votação. Por isso a nossa presença aqui”.
Também participaram o desembargador eleitoral Marcelo Pizolati, promotores eleitorais e a presidente da Associação dos Magistrados Catarinenses, juíza de direito Janiara Maldaner Corbetta.
O juiz eleitoral da 12ª ZE, Renato Guilherme Gomes Cunha, classificou o momento como uma preparação importante para o pleito de 4 de outubro.
“Temos aqui um momento muito especial e estamos todos nos preparando para as eleições, que se avizinham no dia 4 de outubro”, contextualizou.
As atividades ocorreram na Casa da Urna, localizada na Rodovia SC-407, Km 2, nº 2.800, Galpão 5, bairro Beira Rio, em Biguaçu. No mesmo espaço serão realizadas, em 26 de setembro, as audiências da 100ª Zona Eleitoral.
Blumenau prepara 794 urnas
Em Blumenau, a 3ª Zona Eleitoral realizou, na terça-feira (22), a preparação de 464 urnas, sendo 23 destinadas à contingência.
O juiz eleitoral Raphael de Oliveira e Silva Borges lembrou a transição do sistema de votação em papel para o eletrônico na década de 1990 e destacou o pioneirismo de Santa Catarina.
“Depois do dia do pleito mesmo, esse é o segundo ato mais importante que nós temos. A preparação das urnas eletrônicas é um trabalho muito importante para a legitimidade do nosso processo eleitoral. A verificação humana não é igual à verificação da máquina. Os humanos podem deixar passar muita coisa, a máquina não deixa passar nada. Então, o nosso processo eleitoral é um dos mais rápidos e um dos melhores do mundo”, exaltou.
A preparação em Blumenau será concluída no domingo (27), quando a 88ª Zona Eleitoral realizará a configuração de outras 330 urnas, sendo 17 de contingência, no Fórum da cidade.
Itajaí prepara 554 urnas
Em Itajaí, a 97ª Zona Eleitoral iniciou, na segunda-feira (21), a preparação de 327 urnas no Ginásio de Esportes Gabriel João Collares, na Vila Operária.
A juíza eleitoral Karina Müller resumiu o procedimento realizado pelas equipes:
“De uma forma bem simples, o que fazemos aqui hoje é preparar, conferir, identificar e lacrar cada urna para que ela esteja pronta e segura para a eleição”.
Além das 310 urnas destinadas às seções eleitorais, foram preparadas 17 unidades para contingência ou treinamento.
Com a conclusão da cerimônia da 97ª ZE na terça-feira (22), Itajaí chegou a 554 urnas preparadas para o pleito. O número inclui também os 227 equipamentos da 16ª Zona Eleitoral, dos quais 12 são destinados à contingência ou treinamento.
Criciúma e Tubarão também avançam
Criciúma possui 636 urnas eletrônicas distribuídas entre três Zonas Eleitorais. Na segunda-feira (21), a 98ª ZE iniciou a preparação de 232 equipamentos.
O juiz eleitoral Marlon de Souza destacou a importância do acompanhamento público do processo.
“É fundamental que se tenha uma solenidade como esta, onde a imprensa, que é a voz da sociedade, esteja presente para conferir cada ato, cada lacre. E não é um lacre qualquer, é um lacre produzido pela Casa da Moeda do Brasil”, falou.
Em Tubarão, as 524 urnas das duas Zonas Eleitorais foram preparadas na segunda-feira (21), durante audiência pública realizada no auditório nº 2 do Praça Shopping.
Foram configurados 290 equipamentos da 33ª ZE e 236 da 99ª ZE.
A juíza eleitoral Lara Maria Souza da Rosa Zanotelli, da 99ª ZE, reforçou o caráter aberto do procedimento.
“Não existe nada escondido, tudo é às claras. O processo é verificável e pode ser acompanhado por todos os partidos e a população pode confiar em nosso sistema eleitoral”.
O juiz eleitoral da 33ª ZE também destacou a possibilidade de auditoria:
“Elas são auditáveis e existe um pessoal muito capacitado trabalhando para que tudo funcione bem. Então, o eleitor pode ir sossegado no dia da votação. O seu voto vai ser computado direitinho”.
Dez municípios recebem acompanhamento de desembargadores
Além de Florianópolis, Joinville, Blumenau, Itajaí, Criciúma e Tubarão, outras quatro cidades receberam a presença de desembargadores eleitorais durante as cerimônias desta semana.
Em Lages, o desembargador eleitoral Jaime Machado Júnior acompanhou, na segunda-feira (21), o início da preparação de 195 urnas da 21ª ZE. O município terá 598 equipamentos, distribuídos também entre as 93ª e 104ª Zonas Eleitorais.
Em Chapecó, o desembargador eleitoral Márcio Schiefler Fontes acompanhou a cerimônia da 94ª ZE. O município conta com 557 urnas, sendo 274 da 94ª ZE e 283 da 35ª ZE. A configuração foi concluída na terça-feira (22).
Na Grande Florianópolis, o desembargador eleitoral Marcelo Pizolati acompanhou a preparação de 290 urnas da 84ª ZE, em São José. Outras 306, pertencentes à 29ª ZE, estão previstas para preparação nesta quarta-feira (23).
Já em Palhoça, foram iniciados no domingo (20) os trabalhos com 245 equipamentos da 107ª ZE. Na segunda-feira (21), o desembargador eleitoral José Sérgio da Silva Cristóvam acompanhou o início da preparação de outras 222 urnas da 24ª ZE, com conclusão prevista para 26 de setembro.
Três etapas garantem a preparação dos equipamentos
A preparação das urnas ocorre após a consolidação das candidaturas e antes da votação. Em Santa Catarina, mais de 400 Técnicos de Apoio ao Voto Informatizado (TAVIs) participam dos trabalhos.
O procedimento envolve três etapas principais: inserção das mídias, autoteste e lacração.
Antes da preparação, as urnas passam por limpeza para retirada de sistemas utilizados em eleições anteriores ou em treinamentos.
Com o equipamento vazio, começa a inserção das mídias. A primeira é a Mídia de Carga, que contém o sistema de votação, a relação dos candidatos e os dados dos eleitores. As informações eleitorais são específicas para cada seção, de modo que o eleitor aparece somente na urna correspondente ao local em que votará.
Nas Eleições 2026, o tempo médio para carregar os dados em cada equipamento é de aproximadamente seis minutos.
Depois da carga, a mídia é retirada e são inseridas a Mídia de Votação e a Mídia de Resultados, responsável pelo registro dos votos no dia da eleição e também utilizada como backup.
Autoteste verifica hardware e software
Na etapa seguinte, a urna passa pelo autoteste. O sistema orienta os procedimentos para verificar o funcionamento do hardware e do software, incluindo teclas, recursos sonoros e exibição das informações.
Com o teste concluído, começa a lacração.
Cada urna recebe nove lacres produzidos pela Casa da Moeda do Brasil: cinco no terminal do eleitor e quatro no terminal do mesário.
No terminal do eleitor, um lacre sela a tampa do compartimento da Mídia de Resultado, outro protege a tampa do compartimento da Mídia de Votação, dois são instalados nas portas USB e o quinto é colocado na tela.
No terminal do mesário, são utilizados dois lacres nas portas de acesso e outros dois nas laterais, reforçando a proteção física do equipamento.
Depois de lacradas, as urnas são novamente acondicionadas nas caixas.
Votação real também é utilizada para conferência
Durante as audiências públicas, algumas urnas são sorteadas para a chamada Verificação Pré e Pós-Eleição (VPP).
Nesse procedimento, é realizada uma votação real dentro do sistema verificador, vinculada a um eleitor e aos candidatos reais. A demonstração permite conferir se as informações foram corretamente carregadas e se o processo de votação ocorre normalmente.
Concluída a VPP, a urna é novamente configurada para ser utilizada no pleito.
Antes da votação, ainda serão realizadas conferências visuais dos equipamentos. No dia da eleição, as urnas passarão por nova verificação, incluindo a checagem do relógio interno e a conferência da integridade dos lacres.
Assim, antes de chegar ao eleitor, cada equipamento percorre uma sequência de procedimentos públicos de preparação, teste, conferência e lacração.













