SENADO CRIA GRUPO DE TRABALHO PARA APURAR CASO BANCO MASTER E COBRAR FALHAS NA FISCALIZAÇÃO

Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) marcou a criação do grupo de trabalho para acompanhar as investigações sobre o Banco Master. (Foto:Rovena Rosa/Agência Brasil)

Na abertura dos trabalhos de 2026, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado colocou no centro do debate o escândalo envolvendo o Banco Master. Em reunião nesta terça-feira (3), senadores destacaram a importância da criação de um grupo de trabalho para acompanhar as investigações sobre as irregularidades atribuídas à instituição financeira.

A subcomissão foi instituída por ato do presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), como resposta à dimensão do caso e aos impactos no sistema financeiro e no poder público.

É dever desta comissão vasculhar este pântano do Banco Master e todas as suas ramificações, doa a quem doer — afirmou Renan.

Apuração ampla e questionamento à atuação dos órgãos de controle

Renan Calheiros defendeu uma investigação profunda sobre o modelo de negócios do banco, baseado na emissão de certificados de depósito bancário (CDBs) com promessa de retornos elevados e na utilização do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Segundo o senador, a liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pelo Banco Central em novembro de 2025, ocorreu de forma tardia. Um dos objetivos do grupo de trabalho será esclarecer por que os órgãos de fiscalização não atuaram antes.

A subcomissão terá poderes para requisitar documentos e acessar dados sigilosos, com base na Lei Complementar nº 105, de 2001, além de acompanhar investigações em andamento no Banco Central, na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na Polícia Federal e no Tribunal de Contas da União (TCU).

— Não é uma CPI, é uma obrigação desta comissão cuidar da fiscalização do sistema financeiro — ressaltou Renan, ao informar que o grupo será instalado oficialmente nesta quarta-feira (4), com um plano de trabalho detalhado.

Defesa do papel institucional do Senado

Para a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), a condução do caso no âmbito da CAE reforça o papel permanente do Senado na fiscalização e na formulação de leis.

O foro certo para a discussão de tudo que tem acontecido é aqui. Esta comissão é permanente, CPI é transitória, afirmou.

Ela defendeu que as brechas legais identificadas durante as investigações sejam corrigidas por meio de propostas legislativas construídas no colegiado.

Impactos no Distrito Federal e alerta sobre o BRB

A senadora Leila Barros (PDT-DF) chamou atenção para os reflexos diretos do escândalo no Distrito Federal e no Banco de Brasília (BRB).

Estamos diante do maior escândalo financeiro do país. As relações entre Daniel Vorcaro e os Poderes são escandalosas. No centro desse turbilhão está o Distrito Federal e o BRB, declarou.

Segundo a parlamentar, o cenário pode levar ao risco de liquidação ou até de federalização do banco público local.

Investigação contínua, mesmo com outras comissões

O senador Esperidião Amin (PP-SC) destacou que a subcomissão da CAE garante continuidade às apurações, independentemente da criação de outras instâncias investigativas.

Mesmo que haja uma CPMI, ela acaba. Aqui, a investigação permanece, afirmou.

Composição e atribuições do grupo

O grupo de trabalho será formado pelos senadores Alessandro Vieira (MDB-SE), Damares Alves, Eduardo Braga (MDB-AM), Esperidião Amin, Fernando Farias (MDB-AL), Leila Barros e Randolfe Rodrigues (PT-AP), com possibilidade de ampliação.

Entre as atribuições estão:
• Convocação de autoridades e investigados
• Solicitação de informações oficiais
• Elaboração de propostas legislativas relacionadas ao caso

(Fonte: Agência Senado)

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