
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) apresentou nesta quarta-feira (16), na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), o relatório de gestão referente aos dois primeiros quadrimestres de 2026. A prestação de contas atende ao que determina a Lei Complementar 141/2012 e detalha a aplicação dos recursos, a produção dos serviços públicos e as auditorias realizadas ou em andamento.
Na abertura da apresentação, o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi, destacou o crescimento do volume de recursos destinados ao setor. Entre janeiro e agosto deste ano, os investimentos chegaram a R$ 9,6 bilhões.
Desse total, R$ 9,542 bilhões correspondem ao Fundo Estadual de Saúde. Outros R$ 65,5 milhões foram destinados ao Fundo Estadual de Apoio aos Hospitais Filantrópicos, Hemosc, Cepon e Hospitais Municipais.
“Esse investimento representa entre 15% e 16% da arrecadação pública estadual e estamos na expectativa de que neste ano possamos bater o recorde de investimentos realizado no ano passado, que foi o maior da história.”
Onde estão concentrados os recursos
Dos R$ 7,202 bilhões previstos, 80,91% já haviam sido empenhados. A distribuição da dotação por área mostra forte concentração na atenção especializada e na gestão de pessoas.
* Atenção Especializada à Saúde: R$ 3,217 bilhões
* Gestão de Pessoas: R$ 2,666 bilhões
* Gestão Estratégica e Inovação: R$ 1,129 bilhão
* Atenção Primária à Saúde: R$ 184,2 milhões
* Vigilância em Saúde: R$ 4,83 milhões
Na Atenção Primária, os recursos incluem R$ 38 milhões para o Componente Básico da Assistência Farmacêutica, R$ 135 milhões para o cofinanciamento estadual de equipes de Atenção Primária, R$ 6,7 milhões para o Programa Catarinense de Inclusão Social (Procis) e R$ 2,5 milhões para equipes de Atenção Primária Prisional.
Atenção especializada concentra maior fatia
A Atenção Especializada recebeu R$ 3,164 bilhões, destinados à manutenção de unidades hospitalares, medicamentos e insumos, transplantes, telemedicina, tratamento fora de domicílio, procedimentos de média e alta complexidade e cirurgias eletivas.
O relatório também registra R$ 348 milhões em recursos firmados com municípios por meio das associações de municípios. Os valores variam conforme a região, chegando a R$ 40 milhões para a Amrec e R$ 35,9 milhões para a Amve.
Mais de 1,6 milhão de procedimentos cirúrgicos
Os dois quadrimestres analisados registraram 1.601.092 procedimentos cirúrgicos. O levantamento inclui:
* 659.279 cirurgias eletivas com internação;
* 411.014 cirurgias ambulatoriais oftalmológicas;
* 530.799 cirurgias de emergência.
Apesar do volume expressivo de atendimentos, a fila de espera foi um dos principais pontos levantados pelos deputados durante a apresentação.
Secretaria afirma que maioria dos pacientes aguarda desde 2025
Questionado sobre o número de pessoas que ainda aguardam por procedimentos, Demarchi afirmou que cerca de 100 mil pacientes estão prontos para cirurgia e argumentou que a maior parte entrou na fila recentemente.
“De 100 mil pacientes que temos aguardando, prontos para cirurgia, a imensa maioria, mais de 90%, são pacientes de 2025 para cá.”
O secretário também apresentou os critérios utilizados pela SES para estabelecer os prazos de atendimento.
“Nossas métricas são de 60 dias a partir da emissão da AIH (autorização de internação hospitalar) para oncologia, as quais mais de 80% estamos fazendo; 90 dias a partir da emissão da AIH para média complexidade; e até 120 dias para alta complexidade.”
Rede privada amplia participação no SUS
Outro destaque do relatório foi a ampliação da participação de hospitais particulares no atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo os dados apresentados, nove hospitais passaram a atender pelo sistema a partir das habilitações estaduais de alta complexidade criadas em 2023 para áreas como cardiologia, ortopedia, trombectomia e cirurgia bariátrica.
Entre as habilitações e autorizações de serviços estão:
* 19 serviços de ortopedia;
* 12 de cardiologia;
* 4 de trombectomia;
* 4 de neurologia e neurocirurgia;
* 4 procedimentos TAVI;
* 3 serviços de cirurgia robótica;
* 3 de cirurgia bariátrica;
* 2 serviços de atendimento a AVC.
Estado amplia número de leitos de UTI
A expansão da estrutura hospitalar também aparece nos números apresentados à Assembleia. Santa Catarina conta atualmente com mais de 1.510 leitos de UTI ativos.
Desde 2023, foram criados 343 novos leitos, segundo o relatório, com o objetivo de ampliar a capacidade de atendimento nas diferentes regiões catarinenses.
A prestação de contas coloca lado a lado dois desafios da saúde pública catarinense: a manutenção de um volume elevado de investimentos e serviços e, ao mesmo tempo, a necessidade de reduzir as filas e garantir que os pacientes tenham acesso aos procedimentos dentro dos prazos estabelecidos pela própria Secretaria de Estado da Saúde.
ALESC EXPLICA
O que a Secretaria da Saúde apresentou à Alesc?
A SES apresentou à Comissão de Saúde o relatório da gestão referente aos dois primeiros quadrimestres de 2026. O documento reúne informações sobre aplicação de recursos, produção de serviços públicos de saúde e auditorias realizadas ou em andamento.
Quanto foi destinado à saúde entre janeiro e agosto?
Segundo o secretário da SES, Diogo Demarchi, o volume destinado ao setor chegou a R$ 9,6 bilhões no período. A maior parcela correspondeu ao Fundo Estadual de Saúde, com R$ 9,542 bilhões.
Quantos procedimentos cirúrgicos foram realizados?
Conforme a SES, foram realizados 1.601.092 procedimentos durante os quadrimestres analisados. O total apresentado inclui cirurgias eletivas com internação, cirurgias ambulatoriais oftalmológicas e cirurgias de emergência.
Quantos leitos de UTI estão ativos em Santa Catarina?
Segundo o secretário da Saúde, mais de 1.510 leitos de UTI estão ativos no estado. Além disso, ele informou que 343 novos leitos foram criados desde 2023.













