REVISÃO DA JORNADA DE TRABALHO ACENDE ALERTA NO SETOR PRODUTIVO CATARINENSE

    Reunião do COFEM debate impactos econômicos da proposta de redução da jornada de trabalho e defende análise técnica no Congresso Nacional.

    A proposta de revisão da jornada de trabalho em discussão no Congresso Nacional entrou na pauta do Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina (COFEM). Para o setor produtivo, a eventual redução para 36 horas semanais representa uma mudança estrutural com reflexos diretos na competitividade, no emprego e na inflação.

    Os representantes das entidades defendem que o debate seja conduzido com base em dados técnicos e análises econômicas, e não sob influência do calendário eleitoral. Segundo os empresários, decisões dessa magnitude exigem avaliação criteriosa dos impactos de médio e longo prazo.

    Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a migração para a jornada de 36 horas poderia elevar os custos diretos da indústria brasileira em cerca de R$ 178 bilhões ao ano.

    Pesquisas da FGV/IBRE indicam que, considerando apenas o fator trabalho, a mudança poderia resultar em retração de até 11% do Produto Interno Bruto (PIB).

    Outro ponto de preocupação é o aumento estimado de 25% no custo do emprego. Para o setor produtivo, esse cenário tende a gerar repasse de preços ao consumidor, pressionando a inflação e reduzindo o poder de compra da população.

    Santa Catarina vive pleno emprego

    Os dados regionais reforçam a preocupação das entidades empresariais. Em Santa Catarina, 71% dos trabalhadores formais possuem contratos entre 41 e 44 horas semanais, índice superior à média nacional, de 60%, segundo a Facisc.

    Na indústria, o percentual é ainda maior: 86% dos trabalhadores cumprem jornada de 44 horas, de acordo com levantamento do Observatório FIESC.

    O estado também registra taxa de desocupação de 2,3% no terceiro trimestre de 2025 — a menor do país. Para o COFEM, a realidade de pleno emprego já impõe dificuldades na contratação de mão de obra, o que pode se agravar com a redução da jornada.

    Transporte pode perder 10% da capacidade produtiva

    O setor de transporte é apontado como um dos mais sensíveis à mudança. Nos últimos dez anos, o Brasil registrou redução de 22% no número de caminhoneiros. Segundo a Fetrancesc, o total de motoristas caiu de 5,6 milhões para 4,4 milhões no período.

    O presidente da Fetrancesc, Dagnor Schneider, alerta para os efeitos práticos da proposta:

    “Estamos reduzindo de forma significativa o nosso estoque de motoristas. As consequências ainda não são mais severas por dois fatores principais: uma atividade econômica que segue morna e a ampliação da capacidade dos caminhões. No entanto, essa alternativa já está chegando ao limite. Caso esse projeto avance, estimamos uma perda de cerca de 10% da capacidade produtiva do transporte rodoviário de cargas. A pergunta é: qual será o impacto disso no sistema de abastecimento do país?”

    Competitividade e Custo Brasil entram no debate

    Na avaliação do COFEM, a redução da jornada ocorre em um cenário já desafiador para o ambiente de negócios brasileiro. O chamado “Custo Brasil”, aliado à insegurança jurídica, alta carga tributária, infraestrutura deficiente e baixa produtividade, compromete a competitividade das empresas.

    O conselho também cita experiências internacionais. Países como Alemanha, Dinamarca e Holanda mantêm jornadas de até 48 horas semanais. A França, que adotou jornada reduzida, debate revisões diante dos impactos sobre pequenas e médias empresas.

    Quem compõe o COFEM

    O Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina é formado por:
    • FIESC (Indústria)
    • FECOMÉRCIO (Comércio)
    • FAESC (Agricultura)
    • FETRANCESC (Transportes)
    • FACISC (Associações Empresariais)
    • FCDL (CDLs)
    • FAMPESC (Micro e Pequenas Empresas)
    • Sebrae-SC

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