
A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou nesta quinta-feira (09) a Operação Dose Extra, uma ofensiva de grande escala contra um esquema sofisticado de fraudes que atingiu diretamente o plano de saúde dos servidores estaduais, o SC Saúde.
A ação, conduzida pela Delegacia de Combate à Corrupção (DECOR/DEIC), teve como ponto de partida uma auditoria realizada pelo próprio Governo do Estado, que identificou irregularidades graves e acionou as autoridades policiais.
O alvo: uma organização criminosa suspeita de manipular procedimentos cirúrgicos — especialmente na área de coluna — para inflar custos e obter ganhos milionários às custas dos cofres públicos.
Esquema envolvia médicos, empresários e advogados
Segundo as investigações, o grupo utilizava uma estratégia recorrente: após negativas administrativas do plano, os procedimentos eram levados à Justiça. No processo judicial, eram apresentados orçamentos de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPMEs) com valores muito acima dos praticados no mercado.
A fraude ia além. Empresas fornecedoras indicadas nos processos, embora com nomes diferentes, pertenciam ao mesmo grupo econômico — uma manobra para simular concorrência e mascarar o superfaturamento.⸻
Disparidade choca: de R$ 29 mil para R$ 600 mil
A dimensão do prejuízo impressiona. Em apenas 33 procedimentos analisados, o dano estimado já atinge R$ 6 milhões.
Em um dos casos investigados, uma cirurgia que custaria cerca de R$ 29 mil acabou sendo paga por mais de R$ 600 mil após decisão judicial — um aumento que evidencia a distorção provocada pelo esquema.
E o rombo pode ser ainda maior. Os valores analisados referem-se apenas até junho de 2025, o que indica que o prejuízo total ainda será dimensionado com o avanço das investigações.
Operação mobiliza força-tarefa e tem alcance nacional
Ao todo, foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, com foco em Florianópolis, além de ações em Palhoça e Joinville.
A operação também se estendeu para outros estados, com diligências em Belo Horizonte, Uberlândia, Campos dos Goytacazes e no estado do Tocantins.
A força-tarefa contou com apoio de delegacias especializadas, além das Polícias Civis de Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Bens bloqueados e empresas proibidas de contratar
Por decisão da Vara Estadual de Organizações Criminosas, foram determinadas medidas duras: apreensão de 35 veículos, duas motos aquáticas e uma embarcação, além do bloqueio de bens e valores até R$ 10 milhões.
Cinco empresas investigadas também estão proibidas de firmar contratos com o Estado.
Os suspeitos respondem por organização criminosa e estelionato majorado. Todo o material apreendido será analisado pela Polícia Científica para aprofundar o caso e identificar novos envolvidos.













