
A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou, na última sexta-feira, a Operação Cortejo Oculto para investigar suspeitas de cartel, fraudes em licitações públicas e lavagem de dinheiro no setor funerário. A ação foi coordenada pela Delegacia de Combate ao Crime Organizado (DECRIM) de Florianópolis e cumpriu oito mandados de busca e apreensão, além de ordens judiciais de bloqueio de bens que podem chegar a R$ 15 milhões.
As diligências ocorreram em Florianópolis e São José.
Desdobramento de investigações anteriores
A nova fase da apuração tem origem em investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas de Santa Catarina (GAECO/SC), que já havia atuado no setor funerário por meio das operações “Mercadores da Morte” e “Caronte”.
A Operação “Mercadores da Morte” investigou suspeita de formação de cartel e práticas anticompetitivas em serviços funerários nas cidades de Florianópolis, São José e Criciúma. Já a Operação “Caronte” ampliou o foco para possíveis crimes contra a administração pública e fraudes em processos licitatórios.
Com base nos elementos reunidos, a DECRIM instaurou investigação própria para aprofundar a apuração sobre lavagem de dinheiro e reconstruir a chamada “trilha do dinheiro”.
Foco na lavagem de capitais
Segundo a Polícia Civil, a investigação busca identificar ocultação e dissimulação de valores supostamente obtidos por meio de fraudes em contratos públicos em municípios catarinenses.
A apuração conta com análise de movimentações bancárias, registros fiscais e documentos empresariais, todos obtidos com autorização judicial. Entre os indícios investigados estão:
• Circulação sucessiva de recursos entre empresas e pessoas físicas;
• Uso de terceiros para movimentação financeira;
• Fracionamento de operações para dificultar o rastreamento;
• Estruturação de empresa do tipo “holding” para concentrar e redistribuir valores.
De acordo com a polícia, há transações milionárias sob análise, incluindo aproximadamente R$ 4 milhões em operações financeiras examinadas nesta fase.
Bloqueio de bens e apreensões
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos telefones celulares, dinheiro em espécie e veículos. Também houve bloqueio de contas bancárias e outras medidas de constrição patrimonial, com o objetivo de evitar a dissipação de bens e preservar ativos possivelmente ligados aos crimes investigados.
A Polícia Civil informou que as diligências seguem em andamento e que novos detalhes permanecem sob sigilo para não comprometer o avanço das apurações. Outras fases da operação e novas medidas cautelares não estão descartadas, dependendo dos elementos coletados nesta etapa.













