
Nesta quinta-feira, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio do CyberGAECO, deflagrou a Operação Blind Eye. A ação foi realizada em conjunto com a 1ª Delegacia de Polícia Civil de Chapecó e teve como objetivo desarticular a logística financeira de um esquema criminoso que desviou mais de R$ 330 mil de uma instituição de ensino superior sediada em Santa Catarina.
Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nos estados de Goiás e Rio Grande do Sul. A operação tem como alvo seis investigados, apontados como peças-chave na recepção e na pulverização dos valores subtraídos por meio de fraude eletrônica.
Quebras de sigilo revelam caminho do dinheiro
Além das buscas, a Vara Regional de Garantias da Comarca de Chapecó autorizou a quebra dos sigilos bancário e telemático dos investigados. As medidas permitiram o mapeamento detalhado da movimentação financeira e a identificação de uma rede de contas utilizada para fragmentar os valores desviados, estratégia típica de esquemas de lavagem de dinheiro.
A prática, conhecida como pulverização financeira, consiste em dividir rapidamente o montante ilícito entre diversas contas para dificultar o rastreamento pelas autoridades.
Como o crime foi executado: malware e transferências instantâneas
As investigações apontam que o golpe foi viabilizado com o uso de malwares bancários de alto nível tecnológico. Os criminosos conseguiram capturar as credenciais de acesso de uma funcionária da instituição de ensino e, em uma ação quase instantânea, realizaram transferências via Pix, TED e pagamentos de boletos.
O prejuízo total chegou a R$ 339.930,00. Para dificultar a identificação dos responsáveis, o grupo utilizou infraestrutura internacional, incluindo VPNs com servidores localizados na Holanda.
Mesmo assim, a análise técnica conduzida pelo CyberGAECO e pela Polícia Civil conseguiu rastrear o destino de cada valor transferido e identificar contas criadas especificamente para movimentar o dinheiro ilícito.
“Laranjas conscientes” no centro da investigação
O foco principal desta fase da Operação Blind Eye é a responsabilização dos chamados “laranjas conscientes”. Segundo o apurado, os titulares das contas bancárias não tiveram seus dados usados de forma indevida, mas aderiram voluntariamente ao esquema.
Em troca de vantagens financeiras, esses colaboradores cederam deliberadamente suas informações bancárias, atuando de forma ativa na operacionalização da fraude e na ocultação dos valores.
Atuação integrada entre forças de segurança
A deflagração da operação contou com o apoio do GAECO do Ministério Público de Goiás, além das Polícias Civis do Rio Grande do Sul e de Goiás, da ROTAM (Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas) e da Polícia Militar de Goiás, que auxiliaram no cumprimento dos mandados.
Por que o nome Operação Blind Eye?
O nome “Blind Eye” (Olho Cego) faz referência à Teoria da Cegueira Deliberada, conceito jurídico utilizado para caracterizar a conduta de pessoas que, mesmo diante de fortes indícios de ilegalidade, optam por ignorar a origem criminosa do dinheiro em busca de lucro fácil.
Esse comportamento, segundo os investigadores, é fundamental para viabilizar crimes cibernéticos e esquemas de lavagem de dinheiro.
Próximos passos da investigação
Os materiais apreendidos durante as diligências serão encaminhados à Polícia Científica, responsável pela realização dos exames periciais. Os laudos subsidiarão novas etapas da investigação, que busca identificar outros envolvidos e dimensionar a extensão da organização criminosa.
As investigações seguem sob sigilo e novas informações poderão ser divulgadas após a publicidade dos autos.
GAECO e CyberGAECO
O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) é uma força-tarefa composta, em Santa Catarina, pelo Ministério Público, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar, e tem como finalidade a identificação, prevenção e repressão às organizações criminosas.
O CyberGAECO é uma força-tarefa especializada, inserida na estrutura do GAECO, formada por integrantes do Ministério Público de Santa Catarina, da Polícia Civil, da Polícia Militar e da Polícia Penal, para identificar, buscar prevenir e reprimir infrações penais praticadas em ambientes virtuais.













