
A Prefeitura de Florianópolis enfrenta um impasse com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para dar continuidade aos serviços de limpeza de canais artificiais de drenagem no Rio Tavares, no Sul da Ilha.
A administração municipal afirma que procura o órgão federal há mais de um mês para tratar da necessidade de manutenção dos canais, considerados importantes para o escoamento das águas pluviais em uma das regiões mais populosas do Sul da Ilha.
Depois de um longo período sem posicionamento oficial, o ICMBio notificou o município nesta semana para interromper a continuidade das intervenções. Segundo a Prefeitura, a notificação também alerta que a manutenção dos serviços sem a autorização do órgão poderá gerar responsabilização criminal até que seja emitida uma autorização específica.
Prefeitura sustenta caráter preventivo da operação
De acordo com o município, a limpeza integra um conjunto de medidas preventivas adotadas para reduzir os impactos de episódios de chuva intensa. As ações estão amparadas pelo decreto de Estado de Alerta Climático publicado pela Prefeitura em 11 de junho.
A necessidade de autorização do ICMBio está relacionada ao fato de os canais estarem inseridos em área sob influência de unidade de conservação federal, a Reserva Extrativista Marinha do Pirajubaé (RESEX), o que exige a atuação conjunta entre os órgãos públicos.
Para a Prefeitura, entretanto, a demora na liberação preocupa diante da proximidade da primavera e da previsão de aumento da frequência e intensidade das chuvas em Santa Catarina.
Topázio cobra solução antes da chegada das chuvas
O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, afirma que a falta de uma previsão para a análise do pedido municipal amplia a preocupação com a segurança dos moradores.
“Apesar de reuniões e conversas, nós não estamos conseguindo vencer a burocracia. O resultado é só um: a população de Florianópolis continua em risco. O problema é que neste cenário, sob influência do El Niño, a chuva não espera uma autorização chegar. Com os canais obstruídos, temos alagamentos e diversos prejuízos às famílias. Não queremos passar por cima de nenhuma regra, mas trazer segurança, protegendo as pessoas e o meio ambiente”, destaca o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto.
Procuradoria pede esclarecimentos ao ICMBio
Diante da notificação, a Procuradoria-Geral do Município encaminhou resposta ao órgão federal, reafirmando a urgência da limpeza dos canais e solicitando esclarecimentos sobre pontos considerados pouco claros na manifestação do ICMBio.
A Prefeitura aguarda agora um novo posicionamento do instituto para saber se e em quais condições os serviços preventivos poderão ser retomados.
El Niño reforça alerta para a primavera
O cenário climático aumenta a preocupação com a capacidade de drenagem da região. O 245º Fórum Climático Catarinense, realizado em agosto com participação de meteorologistas da Defesa Civil de Santa Catarina e da Epagri/Ciram, apontou tendência de chuvas acima da média e aumento da frequência e intensidade de sistemas meteorológicos entre setembro e novembro.
Segundo a Defesa Civil estadual, a combinação entre a primavera, que naturalmente apresenta maior ocorrência de chuvas e tempestades, e a intensificação do El Niño eleva a possibilidade de alagamentos, enxurradas e deslizamentos. (Defesa Civil SC)
A atualização de agosto indicava 93% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre setembro e outubro. Em 10 de setembro, a NOAA informou que o El Niño continuava se fortalecendo e apontou probabilidade superior a 90% de um episódio muito forte no período de outono e inverno do Hemisfério Norte. (Defesa Civil SC)
Chuva forte não espera pela burocracia
Para Florianópolis, o alerta coloca a manutenção dos canais de drenagem no Rio Tavares no centro da discussão sobre prevenção de riscos. A combinação entre chuvas intensas, ocupação urbana e sistemas de drenagem que precisam estar desobstruídos pode ampliar os impactos de eventos extremos.
A própria Defesa Civil de Santa Catarina destaca que a primavera de 2026 exige atenção redobrada e recomenda acompanhamento permanente dos avisos meteorológicos, especialmente diante da possibilidade de chuva volumosa e tempestades severas. (Defesa Civil SC)
Enquanto Prefeitura e ICMBio discutem os procedimentos necessários para a realização das intervenções, moradores do Rio Tavares permanecem no meio de uma equação que envolve preservação ambiental, regras de proteção de unidades de conservação e, ao mesmo tempo, a necessidade de prevenção diante de um período de maior risco climático.













