
A cadeia produtiva do arroz em Santa Catarina vive um dos momentos mais delicados dos últimos anos. Em debate promovido pela Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), produtores, cooperativas e indústria discutiram alternativas para enfrentar a queda nos preços e o aumento dos custos.
O encontro ocorreu em Criciúma, na noite de quinta feira,12, na sede da Associação Empresarial local, e reuniu representantes do setor para avaliar os impactos econômicos e cobrar medidas emergenciais.
Coordenada pelo deputado José Milton Scheffer (PP), a Frencoop destacou que a rizicultura catarinense movimenta cerca de R$ 4,4 bilhões por ano, com:
- 52 estabelecimentos ativos
- Mais de 3 mil trabalhadores envolvidos diretamente
- Forte impacto na economia regional
Apesar da relevância, o setor enfrenta uma combinação preocupante de fatores:
- Aumento contínuo dos custos de produção
- Endividamento crescente dos agricultores
- Superoferta no mercado
- Concorrência com arroz importado
O resultado é um cenário de risco para produtores e indústrias, com possibilidade de redução da área plantada e fechamento de unidades de beneficiamento.
Atualmente, segundo dados apresentados no debate, o produtor vende a saca de arroz por cerca de R$ 50, enquanto o custo de produção ultrapassa R$ 75.
Essa diferença gera prejuízo direto no campo.
De acordo com Scheffer, quando esse desequilíbrio se repete em milhões de sacas, o impacto pode chegar a R$ 500 milhões, recursos que deixam de circular no comércio local, cooperativas e na indústria catarinense.
Produtores relatam dificuldade crescente para manter a atividade. O agricultor Rui Geraldino Fernandes afirmou que vive o momento mais difícil em mais de uma década de atuação. “A situação está complicada, porque hoje a gente está pagando para trabalhar. Queremos trabalhar com lucro, mas hoje está inviável”.
Já o presidente do Sindicato das Indústrias do Arroz (SindArroz), Walmir Rampinelli, alertou que o faturamento das indústrias caiu pela metade, enquanto os custos operacionais seguem elevados. Apesar disso, as empresas mantêm os empregos, mas o temor é de agravamento do cenário em 2026.
O presidente da Ocesc, Vanir Zanatta, pediu medidas urgentes do governo federal para elevar o preço ao menos ao custo de produção de R$ 70. Entre as medidas solicitadas pela categoria está a ampliação do crédito presumido para 100% da alíquota do ICMS.
Isso zeraria o imposto nas saídas interestaduais. Como contrapartida, indústrias e cooperativas pagariam ao produtor ao menos 90% do preço mínimo por saca. A proposta depende de convênio no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).
O que o setor pede ao governo
Revisão de incentivos às importações
O setor quer restringir benefícios fiscais concedidos ao arroz importado, considerado um dos principais fatores de pressão nos preços.
Linhas de financiamento
Ampliação do acesso a crédito para enfrentar o endividamento.
Valorização do arroz catarinense
Inclusão prioritária na merenda escolar e fortalecimento da identidade do produto estadual.
Segundo Scheffer, o governo estadual já sinalizou que irá analisar alternativas. O deputado destacou que o desafio vai além da economia: trata-se de preservar uma atividade estratégica para Santa Catarina e para a segurança alimentar do país.
Perguntas Frequentes
1) Qual é o principal motivo da crise na rizicultura em SC?
As principais causas são o alto custo de produção (R$ 75 por saca) frente ao baixo preço de venda (R$ 50), somados ao endividamento rural e à forte concorrência com o arroz importado.
2) Qual o impacto financeiro estimado para a economia catarinense?
Estima-se uma perda de até R$ 500 milhões que deixam de circular no comércio e na indústria devido ao prejuízo acumulado pelos produtores de arroz.
3) O que a Frencoop propõe em relação ao ICMS?
A proposta é ampliar o crédito presumido para 100% da alíquota, zerando o imposto em operações interestaduais para garantir que a indústria pague um preço melhor ao agricultor.
4) Existem propostas para conter a entrada de arroz importado?
Sim, o setor sugere a revisão dos benefícios fiscais concedidos às importações em Santa Catarina para priorizar o produto local.
5) Como a merenda escolar pode ajudar o setor?
Uma das alternativas levantadas no debate em Criciúma é a valorização e priorização do arroz produzido em Santa Catarina no cardápio das escolas públicas.













