PRIMEIRA HEMODIÁLISE PEDIÁTRICA NO HOSPITAL INFANTIL MARCA NOVO CAPÍTULO NA SAÚDE PÚBLICA DE SC

Sonho de jogador, coragem de pioneiro: Joaquim Schmidt Mascarenhas, 13 anos, durante sessão de hemodiálise no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, primeiro paciente a realizar o procedimento na instituição. (Foto: Jonatã Rocha/SecomGOVSC)

O sonho de Joaquim Schmidt Mascarenhas envolve chuteiras, bolas e gols. Aos 13 anos, o menino de Rio do Sul quer fazer história no futebol. Antes de voltar aos campos, porém, ele já escreve seu nome em um momento histórico da saúde pública catarinense.

Internado no Hospital Infantil Joana de Gusmão (HIJG), em Florianópolis, Joaquim se tornou o primeiro paciente a realizar hemodiálise dentro da própria instituição, um marco que amplia a assistência em nefrologia pediátrica no estado.

“Estou um pouco nervoso, porque é a primeira vez, mas também é muito gratificante para mim. Saber que isso pode ajudar outras crianças a se sentirem fortes e a não acharem que são fracas por estarem doentes. Nós já somos fortes, pois ficar no hospital não é fácil. Às vezes eu choro, fico desanimado, mas, comparando com quando cheguei, hoje estou muito melhor”, contou o adolescente.

Avanço histórico após duas décadas

Até então, crianças internadas no HIJG que precisavam de hemodiálise eram transferidas para o Hospital Jeser Amarante Faria, em Joinville. No Hospital Infantil da Capital já era oferecida a diálise peritoneal — considerada a primeira escolha para pacientes pediátricos. Contudo, em casos mais graves ou quando o método não apresenta resposta, a hemodiálise se torna indispensável.

Após 20 anos de tratativas, o hospital passa a disponibilizar o procedimento internamente. São duas máquinas disponíveis, com equipes treinadas e atendimento realizado à beira do leito na UTI, o que evita deslocamentos de risco em situações agudas.

“Esse é um grande passo para fortalecer a assistência em nefrologia pediátrica em Santa Catarina. A saúde precisa acontecer onde as pessoas estão e, por isso, temos objetivos claros: ampliar a oferta de serviços, disponibilizar recursos adequados e garantir suporte aos pacientes”, destacou o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi.

A trajetória até a hemodiálise

Joaquim nasceu com uma má formação renal e vive com apenas um rim desde a infância. Durante anos levou uma rotina considerada normal, com acompanhamento médico anual. No fim de 2025, exames começaram a indicar alterações, seguidas por sintomas intensos e piora do quadro clínico.

Inicialmente, foi realizada diálise peritoneal, mas sem resposta satisfatória. A hemodiálise tornou-se necessária — e os efeitos foram praticamente imediatos.

“A expectativa é viver um dia de cada vez e aproveitar cada momento da melhor forma possível. Os sonhos continuam, e a gente vai se adaptando conforme a vida vai trazendo as coisas para nós. Sempre fomos muito bem atendidos aqui e agora, durante esta internação, continuamos sendo. Temos todo o amparo necessário e nos sentimos seguros com toda a equipe”, declarou a mãe, Soraia Schmidt de Sousa.

Quando a hemodiálise é indicada

A hemodiálise é recomendada em casos de insuficiência renal aguda ou crônica grave, quando os rins deixam de exercer adequadamente suas funções. Entre os principais sinais estão:

  • Inchaço
  • Diminuição ou ausência de urina
  • Pressão alta
  • Dor de cabeça
  • Apatia

No caso de Joaquim, as sessões,com duração média de três horas,já apresentaram resultados positivos: redução do inchaço, melhora nos exames laboratoriais e diminuição da necessidade de medicamentos.

“O serviço de nefrologia pediátrica existe há muitos anos no hospital e desde então buscávamos a implantação da hemodiálise. Hoje contamos com equipes treinadas, enfermagem capacitada e toda a estrutura necessária, como máquinas, insumos e sistema de osmose. Conseguimos iniciar o atendimento e beneficiar significativamente o Joaquim”, explicou a nefrologista pediátrica e chefe do serviço no HIJG, Dra. Martha Nunes Simon.

Da implantação à expansão

A chegada da hemodiálise beira-leito à UTI do Hospital Infantil é resultado de duas décadas de articulações e investimentos em estrutura de alta complexidade, especialmente voltada ao público infantil.

“No ano passado, sete dos nossos pacientes necessitavam de hemodiálise. Sabemos que, quando se oferta um serviço, a demanda aparece. A ideia é expandir e atender ainda mais crianças. O Joaquim foi o primeiro com indicação clínica no momento em que o serviço já estava disponível, e isso fez toda a diferença”, afirmou a diretora do HIJG, Maristela Cardozo Biazon.

Entre os próximos passos está a análise da viabilidade de um centro de hemodiálise pediátrica voltado também a pacientes crônicos.

Enquanto o hospital projeta o futuro, Joaquim segue fazendo planos. Entre sessões, conversas com enfermeiras e cartinhas de apoio dos amigos da escola, o sonho de ser jogador de futebol continua firme e agora, acompanhado de ainda mais esperança.

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