CASO ORELHA: QUANDO A INDIGNAÇÃO VIRA ACUSAÇÃO

O Brasil parou.
Parou para se indignar.
Parou para perguntar: até quando?

O assassinato do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis, não é apenas um caso policial. É um retrato cruel de um país que cansou da impunidade e que começa a perder a paciência com quem deveria combatê-la.

A repercussão foi nacional. Foi internacional. E não por acaso. O que chocou não foi só a violência contra um animal indefeso, mas o que vem depois dela: o risco real de que nada aconteça. De que tudo termine em notas oficiais, discursos mornos e mais um episódio empurrado para o esquecimento.

A vida perdeu valor?

Orelha virou símbolo. Símbolo da defesa da vida, seja humana ou animal. Porque quem normaliza a violência contra um ser vivo indefeso está apenas dando um passo a mais na escalada da brutalidade social.

Quando a sociedade reage em bloco, não é histeria coletiva. É alerta. É sinal vermelho piscando.

A impunidade tem endereço

E não adianta fingir surpresa. A sensação de impunidade não nasce na rua. Ela começa no alto. Começa no Congresso Nacional, que empilha projetos e evita decisões difíceis. Passa por um Judiciário que, muitas vezes, se apega mais aos detalhes técnicos e esquece o senso de justiça. E segue por governos que preferem o discurso confortável à ação efetiva.

Depois, alguém pergunta por que cresce a ideia perigosa de fazer justiça com as próprias mãos? A resposta está aí: quando o Estado falha, o caos ensaia ocupar o espaço.

Maioridade penal, responsabilidade e o medo do debate

O caso Orelha reacende um tema que Brasília insiste em empurrar para baixo do tapete: responsabilidade. Inclusive de adolescentes que cometem atos graves.

Não se trata de vingança. Trata-se de limite. De consequência. De dizer, com todas as letras, que brutalidade não pode ser relativizada por idade, contexto ou conveniência política.

Ano eleitoral, mas indignação real

Estamos em ano eleitoral, sim. Mas essa indignação não é de palanque. Ela não veste partido. Ela vem das ruas, das famílias, de gente comum que olha para o Estado e pergunta: quem nos protege?

As manifestações, os pedidos por justiça, a mobilização espontânea mostram algo raro: a sociedade falando mais alto do que a política.

O Brasil precisa escolher

O caso Orelha exige mais do que comoção. Exige decisões. Leis mais duras, aplicação efetiva da justiça e o fim da tolerância com a barbárie.

Se nada mudar, a mensagem será clara e perigosa: a violência compensa.

E aí, não será apenas Orelha. Será a própria ideia de justiça que continuará sendo enterrada.

O silêncio, neste momento, seria cumplicidade. A omissão, uma escolha. E o Brasil já deixou claro que não aceita mais nenhuma das duas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu comentário
Por favor, informe seu nome